Caminhada Orante 2010

Não tenho como explicar em palavras a experiência de uma caminhada orante, nem mesmo com fotos ou vídeos… só quem se aventura e se põe a caminho em solidão e despojamento é que sabe qual é esse sentimento de entrega e superação que brota em cada um de nós, peregrinos.

Sempre nos falavam de que ao arrumar a mala deveríamos pensar em cada grama a mais que levaríamos de bagagem. 100 gramas, o peso de um pãozinho, levado a cada quilometro percorrido me parecia bem mais de um quilo no final de cada dia. E foram 3 dias – 75 km – para chegarmos à Basílica de Aparecida, passos e passos dados quase que as cegas, se deixando levar por algo sem saber bem o que era.

Saímos de Campos do Jordão às 7 horas da manhã. Tempo frio, beirando os 8 graus e ainda abençoado por uma leve garoa.

Estávamos em 16 jovens das mais diferentes realidades, unidos sob o desejo de chegar em nosso destino da melhor forma possível. E assim que se sucedeu! Caminhamos durante três dias, 35, 20 e 20 quilômetros respectivamente. Bolhas, câimbras, cortes… troféus recebidos a cada jornada conquistada. São tantas belezas, tantas pessoas que nos acolhem, tanta aventura, sentimentos que explodem após o medo de não chegar, que as mais simples situações, como descer de Campos do Jordão a Pindamonhangaba por uma trilha paralela aos trilhos do trem, nos fazem perceber que somos fortes quando nos construímos com a cabeça forte.

Fernando Pessoa tinha plena razão quando meditava:

“Quem quiser passar para além do Bojador, tem que passar por além da dor…”

O corpo chegava moído no fim de cada dia, mas a cabeça, por encarar as dificuldades como pequenas delícias a serem superadas, permanecia sóbria e gozosa de estar em plena superação.

Valeu a pena! Para pessoas de visão curta essa caminhada não passaria de uma caminhada perigosa, um tempo desperdiçado ou um grande sofrimento frente aos “prazeres” que o mundo pragmático nos oferece. Digo que encontramos algo que se fazia teoria antes do primeiro passo na saída de Campos. Deus está em todas as coisas, e nos acompanha e intercede em cada momento. E digo ainda que não de forma metafórica, mas tão real quanto O vimos e sentimos!

“Tudo vale a pena se a alma não é pequena”

De fato, as palavras são incapazes de descrever esse sentimento… Fica aqui o convite para, quem sabe um dia, você estar conosco nessa aventura!

Paz e bem!
MJD BR – Movimento Juvenil Dominicano do Brasil