A experiência de retiro e o silenciar internamente

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência…
(Paciência – Lenine)

Momento de surpresas, rostos diferentes e com um mesmo brilho no olhar de curiosidade. Toca a música e vamos nos mexendo, nossos nervos a flor da pele… Se inicia mais uma etapa de nossas vidas, a experiência do silêncio e contemplação.

A juventude é apressada, tem muitos compromissos e aqueles que tomam maior tempo, outros porém, vivem em mundos cibernéticos, onde o seu melhor amigo é o computador. Chegamos e fomos surpreendidos com o novo, desde os rostos novos, até o estilo. O novo nos fascina nos dá uma sensação de descobrimento de algo que é novidade e poderá fazer parte de mim… e foi o que aconteceu. Muitas surpresas apareceram… até quando nos pediram nossos celulares: aí a coisa apertou. Nos sentimentos fora do “mundo”, como se ele resumisse em uma telinha e vários botões.

Fomos percebendo que o silêncio já ia mudando nosso modo de agir, já fazíamos nossas refeições com mais calma, saboreando o alimento que teve uma grande história antes de chegar ao nosso prato. No domingo nos deparamos com o nosso amigo de muitos retiros, o Pequeno Príncipe, nosso grande amigo, que a cada ano descobrimos mais detalhes emocionantes desse pequeno grande homem. Buscamos lugares para a contemplação do texto, no barulho das árvores, dos passos do pessoal na trilha e choros abafados talvez pela angústia, talvez pela descoberta da essência que nos foi revelado.

Em meio ao silêncio, grupos de partilha onde a temática eram os mártires, ponto de encontro do grupo, onde partilhávamos nossas angústias, histórias nossas que nos levaram a abrir o coração e deixar os sentimentos falarem mais alto. E o prazer de ouvir o pessoal do MJD, Léo, Frei Leandro, Frei André e Victor. Como é agradável e sereno ouví-los. Momentos de oração onde nos encontravámos no amor de Cristo, quando a partilha de sentimentos aflorava em nós.

Estávamos chegando ao fim de nosso retiro, nossos corações já batiam mais forte, porque estaríamos novamente em casa com nossas famílias e levando uma bagagem imensa dentro de nós.

Comparo os participantes com um trem: chegamos ao retiro com os vagões todos vazios, empoeirados e fazendo muito barulho, e saímos de lá com todos os vagões lotados, de fé e de esperança. Já não existia tanto barulho, mas dava pra ouvir nosso coração batendo forte, de emoção de ter vivido esses 4 dias na presença de Cristo e de nossos irmãos de luta.

Mas como diz Antoine de Saint-Exupéry,“A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar.” E foi o que aconteceu quando chegamos em nossas casas: é o aperto no peito de saudade daquilo que fez com que a gente enxergasse nossas limitações e medos. Criamos laços, e assim deixaram músicas maravilhosas para que possam nos lembrar de vocês. Assim como a raposa vê o trigo e lembra os cabelos dourados do Pequeno Príncipe, cada um de vocês nos cativou de uma maneira diferente e inesquecível.

Só nos resta celebrar esse encontro com o compromisso de repassar essa experiência em nossas comunidades e grupos.

É ir a luta… contemplando e levando aos outros o contemplado!

Dienefer Ichi

Paz e bem!
MJD BR – Movimento Juvenil Dominicano do Brasil

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3 pensamentos sobre “A experiência de retiro e o silenciar internamente

  1. Que depoimento lindo… realmente os retiros nos levam a um momento de silencio especial que não vivemos durante o nosso cotidiano… também participei de um retiro de carnaval e a experiência é demais… Saimos como pessoas novas.Muito bom ^^/

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