Espaço Missionário MJD 2012 em Porto Nacional – Tocantins

A prática missionária é elemento constitutivo do carisma cristão. O ir ao encontro do outro – como um estrangeiro – também faz parte da formação dos jovens do MJD Brasil. Formação esta que fundamentada em um tripé: espiritual, intelectual e de vida fraterna em vista da pregação.

Nestes momentos de missão, muitos jovens se dispõem a realizar uma intensa experiência de Deus, nas orações, nos momentos de formação, nas visitas e até mesmo no lazer e convivência, onde todos esses elementos se completam. É ser o TODO em TUDO, numa busca constante por uma vida íntegra.

Foi com esse espírito que os jovens do MJD Brasil realizaram entre os dias 4 e 12 de julho de 2012 o Espaço Missionário em Porto Nacional, município de Tocantins, e é com muita alegria que afirmamos não saber ao certo o número de jovens que participaram das atividades realizadas no encontro. O número que temos é dos que saíram de suas residências: 12 de São Paulo (entre grupos de paróquia, comunidade e colégio) e 1 de Curitiba (da paróquia Santo Antônio). Mas ao chegarem em Tocantins esses jovens foram prontamente acolhidos pelos jovens de Porto Nacional, suas comunidades, e também pelas Irmãs Dominicanas de lá, e todos
participaram ativamente das atividades.

As experiências foram muitas e bastante intensas, e já vamos nos desculpando caso você ache essa leitura um pouco longa demais. Mas garantimos: é um relato carinhoso, cuidadoso e atento sobre o Espaço Missionário MJD Brasil 2012. Por favor, leia até o fim pois vale muito a pena 🙂

Oficialmente, o Espaço Missionário começou no dia 05/07, por conta da chegada, acomodação das pessoas e um breve tempo de descanso. Um grupo desembarcou em por lá um pouco antes, e já chegou fazendo barulho em Porto Nacional: representando o MJD Brasil, Léo, Luciana e Ir. Danize foram entrevistados por uma rádio local para falar sobre a missão que iriam começar na cidade.

O primeiro momento oficial do Espaço Missionário foi um encontro, em que estavam presentes as famílias das comunidades que iriam acolher os missionários de fora do Estado e jovens de Porto Nacional (alguns deles do MJD). Esse foi um espaço para discutir e refletir a missão e o papel do missionário, e esclarecer quais deveriam ser suas disposições.

Logo após, todos participaram da missa de envio, na capela do Colégio Sagrado Coração de Jesus, das Irmãs Dominicanas. Foi uma pregação muito bonita do Pe. Marco Aurélio, e teve como temática a missão.

As últimas recomendações sobre a missão foram passadas e os jovens foram divididos em pequenos grupos nas famílias e comunidades para só então iniciarem as visitas, ponto central do Espaço Missionário. Com os jovens divididos em grupos menores, as visitas ficam mais dinâmicas e profundas, e os trabalhos ficam mais consistentes – certos de que “grão amontoado apodrece, enquanto que espalhado, frutifica”. Mas em algumas das visitas todo o grupo iria participar.

Quatro pequenos grupos foram formados e divididos por setores de Porto Nacional: Alto da Colina, onde os missionários foram acolhidos na chácara das Irmãs Dominicanas, e puderam conviver com as postulantes à vida religiosa; Setor Brigadeiro e Vila Operária, locais bem afastados do centro e bem simples, onde foram acolhidos na Casa Nsa. Aparecida, junto com sr. Adilson; Comunidade Santa Luzia e Comunidade São Pedro, que são bem próximas uma da outra, mas ficaram em casas diferentes: uma dupla ficou na casa de Luciano e Lucélia, e a outra, na casa de Zuraide. Estes dois últimos grupos fizeram visitas juntos em algumas ocasiões.

À noite, todos já estavam acomodados nos locais que os acolheram, e para este dia restava apenas mais um breve fio de prosa com o pessoal local e uma boa noite de sono.

As visitas ocorreram entre sexta e terça-feira, ou seja, 5 dias de visitas em pequenos e grandes grupos. As visitas nos bairros foram diferentes. Cada grupo que acolheu montou um roteiro diferente. Alguns grupos percorreram o bairro entrando nas casas espontaneamente, outros já estavam com as visitas programadas, e durante o caminhar surgiram novos pedidos de visitas, para levar uma palavra de fortaleza a doentes, ou para fazer companhia a alguém mais sozinho, carente de atenção.

Mesmo com esses improvisos tudo saiu com a organização esperada e as experiências foram muito fortificantes. Algumas delas tiveram obstáculos, como o contato com pessoas de outras denominações cristãs mais “fundamentalistas”, ou em nos deparar com a resistência de alguns moradores em receber os missionários, mas nada que desanimou a perseverança das visitas.

A primeira visita em grupo foi na Fazenda da Esperança, centro de reabilitação de dependentes químicos, que atua com uma proposta diferente, pautada no trabalho, na vida fraterna e na religião, sem utilização de remédios ou tratamentos invasivos.

A visita começou com uma apresentação do grupo e animação com música, e em seguida o Léo abriu uma reflexão sobre a vida e a obra de São Domingos de Gusmão. Através de um pequeno teatro houve a interação e participação de todos. Alguns dos rapazes que se sentiram a vontade deram o testemunho de suas vidas: de como entraram no mundo das drogas e do álcool e como perceberam que precisavam de ajuda e seu sim à internação na Fazenda da Esperança.

Com a proposta pautada no trabalho, vida fraterna e espiritualidade, tivemos belos testemunhos de como a Fazenda da Esperança vem mudando a vida daqueles rapazes. Uma demonstração de fé que nos dá força pra continuar nossa caminhada, sem se desviar e pegar o rumo das drogas.

Os meninos responsáveis pela cozinha da Fazenda prepararam um lanche para todos. Logo em seguida tivemos uma celebração da Palavra muito bela, onde nos fizemos uma só comunidade.

Foi uma tarde muito rica, e tudo era muito nítido: o processo de conversão, a garra e a força de vontade que aqueles meninos estavam passando para se recuperarem da dependência química.

Houve uma participação bem positiva de todos ali presentes, e a explanação foi muito boa. Fizemos um lanche, e em seguida uma celebração da palavra. Tivemos também um momento de lazer, onde pudemos bater uma bolinha com o pessoal. Meninos e meninas, todos participaram e se divertiram.

No sábado houve mais um momento de formação (outro ponto forte e bem organizado do espaço missionário), desta vez para explorar a Vida de Oração. A reflexão foi muito positiva e se encerrou com um exercício da oração contemplativa e uma partilha da oração em grupo.

No fim de semana, como de costume, houve as celebrações nas comunidades. Na medida do possível, os grupos participaram delas, e ao final partilharam um pouco nas paróquias e capelas sobre como estava sendo a missão e aproveitaram o momento para convidar as comunidades a participarem também, visitando ou até mesmo demonstrando interesse em ser visitado.

No domingo, outro momento de visita em grupo, desta vez no Acampamento do Movimento Sem Terra Sebastião Bezerra. Ali as pessoas se dividiram e começaram a conversar com os acampados em seus barracos, que vivem uma difícil realidade, na beira da estrada, sem saneamento básico e serviços de saúde próximos, esperando um pedaço de terra para plantar e produzir. Apesar de todas essas adversidades, foi bom saber que a maioria das crianças estão estudando, e o fazem em uma escola própria localizada em um assentamento próximo dali.

As conversas foram muito ricas, e sobre assuntos diversos, assim como a troca de experiências com esse povo. Mais uma vez, os jovens foram inseridos em uma realidade bem diferente e muito mais difícil da que a maioria deles está acostumada a viver, e tiveram a oportunidade de conhecer e conversar com pessoas integrantes de um movimento social que é massivamente criminalizado pela mídia em geral.

Neste mesmo dia – um daqueles bem cheios – a família dominicana e o MJD tiveram a alegria de fundar mais um grupo no Brasil. Jovens do Movimento Juvenil Dominicano de Porto Nacional se dispondo a conhecer mais profundamente este carisma e se consagrar ao estilo de vida dominicana.

Ir. Solanje , delegada da Provincial Ir. Nilce Veloso da provincia Madre Anastasie, junto com Monsenhor Jones, oficializou o Movimento Dominicano do Brasil em Porto Nacional (que hoje é animado pela Ir. Danize). Foi uma linda celebração e um momento de muita alegria.

Para comemorar, jantamos em um pouso de folia, com direito a feijão tropeiro, carnes e sorvete de sobremesa. E como não poderia ser diferente, os foliões nos deram uma palhinha de suas canções.

Na segunda-feira, perto do fim do Espaço Missionário, fazendo visitas e convivendo com a comunidade, um dos grupos aproveitou a parte da tarde para um momento de lazer na praia do Rio (que foi represado em uma parte da cidade e causou um dano ambiental muito grave para a maioria dos moradores com os quais conversamos), e outro grupo aproveitou a tarde para um momento de formação em bíblia, nas dependências do CEACDAN (Centro de Estudos e Ação Comunitária Dom Alano du Noday), que é um projeto levado a frente pelas Irmãs Dominicanas, com algumas parcerias, no setor Alto da Colina. O momento de formação foi dirigido pelo Léo, e todos participaram tirando dúvidas, lendo trechos da bíblia, estudando e partilhando aquilo que aprenderam.

Na terça-feira, último dia de visitas, estávamos repletos de atividades. No período da tarde, o grupo todo, tanto os de fora como os da cidade, visitaram o Museu Histórico e Cultural de Porto Nacional que, entre outras coisas, guarda a memória da primeira missão dominicana na região.

Esta primeira missão, assim como a manutenção dela, foi explicada em maior profundidade pelo Monsenhor Jones (o mesmo que celebrou a missa de oficialização), onde falou um pouco sobre a história de Porto Nacional e da presença dominicana na cidade. O momento foi muito rico, dentro de um dos patrimônios desta mesma história, o antigo convento (hoje seminário). Ele nos presenteou com livros, nos mostrou algumas publicações e acervo – como uma medalha – e cantou um hino da missão da época, que vale a pena ser transcrito aqui:

Ó dominicano missionário,
Que passas com o Rosário, no seio do sertão.
Vês quantos selvagens batizastes,
Aos céus arrecadastes, com peito a ensaguentar.
Glória da terra brasileira,
que te saúda inteira, aos pés do campeão.
Anjos te guiem e tutelares,
voando pelos ares, heróis do meu sertão.

Filho, ouve bem a voz um dia.
Filho, volta os olhos, é Maria,
e vem, para a terra brasileira
hastear outra bandeira, a bandeira de uma cruz
Sonho, minha mãe mais vem comigo,
Cê o pão deste mendigo, que anseia por Jesus.

Quantas quantas vezes pelas noites,
Nos tempos aos açoites, viajastes no sertão.
E alegremente na jornada,
Fazendo a caminhada, viajando no sertão.
Ó, que sertão abençoado,
Meio século regado, com sangue da missão.
Lança, as rosas do Rosário,
Sobre este missionário, que é tua salvação.

A noite, após todos tomarem um merecido banho, fomos a um luau, na chácara. Foi um momento muito especial. A decoração, feita cuidadosamente pelas irmãs, estava muito linda. A comida, preparada com muito carinho, estava maravilhosa. Iniciamos a noite com uma celebração, curta, porém muita profunda, que nos convidava a refletir sobre nosso tesouro, a partir de nossos corações, e que naquele momento era de celebrar e festejar.

Todos assistiram as apresentações dos jovens do CEACDAN, primeiro do grupo de capoeira e depois dos Tambores do Tocantins. Logo em seguida tivemos música e poesias, que foram muito bem organizadas e bonitas. Como já dissemos, esse foi um momento muito especial, pois todos estavam vivendo uma experiência intensa, mas que já estava perto de acabar, e a arte foi o instrumento de expressão escolhido para demonstrar os diversos sentimentos até ali experimentados.

No último dia oficial do Espaço Missionário, nos dedicamos às avaliações, partilhas, e convivência com aqueles que nos acolheram, nas próprias casas. O grupo todo se encontrou no colégio para fazer uma avaliação geral, das experiências das visitas, da convivência, enfim, da missão como um todo.

Neste momento, é nítido como é rica a experiência de Deus na Missão. Foram diversos os sentimentos, mas todos colocados de maneira prática e em comunidade. E é para isso mesmo que foi chamada a atenção de todos: observar as emoções, mas colocar fôlego nas moções, nos possíveis frutos da prática da missão, daquilo que aprendemos, pois todas as pessoas que visitamos tinham mais a nos ensinar do que nós a elas. Uma boa metáfora foi levantada pelo nosso Presidente do MJD. “Mesmo saboreando, não devemos nos apegar a polpa da fruta, que é gostosa e suculenta, mas ao caroço, que é sem gosto e duro, mas que dará frutos assim que plantado.”

O que ficou substancialmente clara foi a gratidão com a acolhida de todos, e acima disso, o companheirismo em todos os momentos. Ali todos foram missionários, visitarando, convivendo e caminhando juntos. O fruto que ficou para muitas comunidades foi esse desejo de missão interno, que certamente permanecerá vivo dentro de cada um.

Almoçamos com as famílias que nos acolheram, em uma grande rede fraterna. Muito bonita e muito boa. E a tarde tivemos o espaço de lazer merecido, com piscina, lanche e um agradável bate-papo.

Chegada à noite, como último momento em grupo, celebramos com o Pe. Marco Aurélio (o mesmo que celebrou a missa de envio) na Capela Nsa. Aparecida, no setor Brigadeiro. Novamente a pregação foi muito bonita, e estimulou uma reflexão sobre nós mesmos enquanto igreja, motivando-nos nesse retorno para casa a percebemos que a missão continua.

E como toda boa despedida, foi em meio a olhos lacrimejados que nos despedimos felizes pelos dias em que pudemos estar juntos nessa jornada. As lágrimas e sorrisos confimaram que a experiência da vida fraterna foi frutificante, e que as belezas da cidade, a amizade dos companheiros e até mesmo os sabores de Porto Nacional ficarão para sempre nas lembranças de cada um.

Para finalizar, só podemos deixar os agradecimentos a todos que nos ajudaram a realizar este Espaço Missionário, orando pela missão, fortalecendo os missionários com palavras de esperança e ensinamento, acolhendo os missionários e sendo companheiros. Nosso agradecimento especial às Irmãs Dominicanas de Monteils, em Porto Nacional – TO.

Jovens Dominicanos, nosso claustro é o Mundo.

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