Sobre as eleições: E agora?

Por Bruno S. Alface

#MJDBR

O dia das eleições (07/10/12) acabou para algumas cidades, aonde foram eleitos vereadores e prefeito no primeiro turno, e para outros municípios a disputa para prefeitos segue para o segundo turno.

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Eleitores de Guarulhos, SP, “devolveram” em frente à Câmara os panfletos que receberam e colocaram faixas com os dizeres “Onde está a sustentabilidade?” e “Devolvendo o que vos pertence”. (fonte: Estadão)

               

Ufa! Isso quer dizer que só voltaremos a perder tempo com a política daqui a dois anos! Que alivio!

 

Não é bem assim…

 

Reconheço que algumas características de nossa terra tupiniquim nos fazem duvidar da famosa democracia – afinal de contas, estamos entre os quatro países mais desiguais da América Latina – entretanto, insistirei em tentar lhe convencer a também insistir com a política.

Durante essas eleições, dedicando boa parte do meu tempo em discussões políticas de diferentes lugares da cidade onde moro, percebi que existem alguns perfis de eleitores.

Parte do eleitorado pesquisa, estuda e debate as propostas e os perfis dos candidatos em suas comunidades, casas, igrejas, escolas, faculdades, clubes do Bolinha e da Luluzinha ao qual pertence, para se preparar para o dia de ontem: o dia de votar.

Sabemos também que existe um segundo perfil de eleitor, aquele que finge que faz tudo isso (finge que pesquisou, debateu e estudou a fundo as propostas dos candidatos) e também vai lá registrar seu voto. O problema que encontramos nesse segundo perfil de eleitor é que depois, durante o mandato dos representantes eleitos, ele terá de engolir os representantes que também ‘’fingem’’ que governam sua cidade.

Se você votou nulo ou em branco, gostaria de acreditar que também estudou a fundo todas as propostas e os candidatos de seu município, e que de fato, não encontrou uma saída possível. Há aqueles que anulam ou embranquecem seu voto por pura preguiça, por uma desilusão, que de fato tem o seu lugar em nosso coração eleitor hoje em dia, mas que não é desculpa para vomitar confortavelmente discursos do tipo: ‘’Nenhum deles presta’’ ou ‘’É tudo ladrão mesmo, pra que vou perder meu tempo?’’.

Esse ano me deparei com muitas correntes que pregavam o ‘’vote nulo’’, ou ainda, o não comparecimento as urnas eleitorais por meio da querida ‘’justificativa’’. Alguns destes movimentos tinham até certo embasamento, mas a meu ver, não tinham o essencial: que é uma alternativa política concreta para o ‘’não votar’’. Se vivemos em uma democracia precisamos de representantes, e se simplesmente escolhemos não escolher nossos representantes estamos dando espaço para o que? Até onde pude entender, para o nada. Ou melhor, para a velha política ocupar mais uma vez as suas cadeiras cativas. 

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(Fonte: Friolândia)

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Sendo por forma de protesto, ou mero conformismo, o fato é que as cidades de Monte Alegre, RN, e Cedro, CE, obtiveram um resultado bem particular nas eleições desse ano: pouco mais de 98% de votos nulos computados, o que pode significar até uma nova eleição com novos candidatos para as respectivas cidades, mas nada é certo ainda. Veja aqui uma reportagem sobre o assunto.

Apesar das muitas diferenças ideológicas, partidárias e das divergentes escolhas tomadas, após as eleições voltamos a ser de um só grupo: dos cidadãos. Por isso, o nosso agir político deve continuar.

Acessem aqui o site G1 e vejam quais foram os candidatos eleitos no primeiro turno de sua cidade. Gravem bem o nome deles, pois agora serão seus representantes na esfera municipal por mais quatro anos.

Isso quer dizer que eles são responsáveis pelas ações de melhoria (ou não) do transporte público que nós usamos, dos hospitais, escolas, parques, e demais espaços e recursos públicos que utilizamos ou pelo menos deveríamos poder utilizar – pois pagamos impostos. Falando nisso, são também os responsáveis pela administração dos tributos que pagamos.

Leonardo Sakamoto nos diz: “Pô, mas política é chata demais.”.

E ele mesmo responde: ‘’Mas não precisa ser assim, ela parece chata porque construíram ela dessa forma. Invente sua maneira divertida de fazer política, oras, tem muita gente fazendo isso. E, principalmente, não xingue quem está travando o bom debate. Afinal de contas, a saída para contrapor uma voz não é forçar o silêncio, mas sim outra voz. O silêncio dói, machuca. O diálogo é música. Sinto um amargo na boca quando vejo pessoas que, sob o risco de verem seus argumentos naufragarem em sua própria arrogância, tentam calar o outro.

Acesse o site da câmara municipal de sua cidade e fique por dentro dos canais de comunicação que existem para dialogarmos com nossos políticos representantes. Fique por dentro da Lei Orgânica de seu município, que é praticamente a constituição máxima que costura os pontos do legislativo em nível municipal.

Continue pesquisando, estudando, debatendo e se fazendo próximo da política e daqueles que nela trabalham. Lute, com inteligência, por uma sociedade mais justa e sensível. As ferramentas existem, só precisamos conhecê-las, aprender e, de fato, usá-las.

Já passamos do tempo de cair em qualquer papo furado, não acha? 

#mjdbr

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