Fazer Memória

por Osvaldo Meca

Novembro é um dos meses especiais do ano, pois nele celebramos a memória de muitos de nossos queridos irmãos que foram ficar junto do Pai. Este ato que, muito diferente do que muitos pensam, não celebra a morte, mas justamente a vida. Celebra a vida e o legado de muitas mulheres e muitos homens que viveram, lutaram, somaram, e que nos dá o exemplo para atitudes transformadoras. Segundo São Vicente de Paulo, “as palavras emocionam, mas o exemplo arrasta”. Fazer memória é, então, revelar estes exemplos e valorizar o que estas pessoas foram e fizeram para um mundo de Justiça e Paz.

Começamos este mês com o Dia de Todos os Santos – celebrado no dia primeiro – e, no dia seguinte, o Dia de Finados (também conhecido como Dia dos Fiéis Defuntos, ou, para os mexicanos, Dia dos Mortos, celebrado com festas que duram 4 dias). Nestes dois dias, porém, celebramos a memória de Santos. No primeiro, aqueles que foram canonizados e são lembrados a todo o momento, e no outro, àqueles que por alguma razão são lembrados por poucos ou por ninguém. Somos convidados a rezar para todos neste dia.

Neste ano de 2013, diversos grupos formados por pessoas que tiveram seus entes queridos – que lutavam por uma sociedade mais justa – sequestrados e mortos pela ditadura militar do Brasil, fizeram um Ato Inter-Religioso no cemitério do Araçá, em São Paulo, para lembrar de todos que foram enterrados anonimamente pela repressão e esquadrões da morte em uma vala comum no cemitério de Perus, e ainda não tiveram seus restos mortais identificados. Há uma estimativa de que aproximadamente mil ossadas estão sem identificação e não puderam ser enterradas por seus familiares e amigos, o que é um direito de qualquer cidadão.

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Cartaz do Ato Inter-Religioso em memória dos mortos e desaparecidos da ditadura militar;

No dia seguinte ao ato, estava prevista a abertura de uma exposição no Cemitério do Araçá, chamada Penetrável Genet, porém, parte da exposição foi vandalizada, assim como uma parte do ossário. Veja mais sobre este episódio clicando aqui.

Hoje, dia 04 de novembro, houve um ato para fazer memória do militante Carlos Marighella, que há 44 anos atrás, foi morto pela repressão militar em uma emboscada, na cidade de São Paulo. Marighella contava com uma rede de ajuda oferecida por alguns frades dominicanos (como frei Betto, frei Tito, frei Ivo, frei Fernando e frei Oswaldo), que realizavam tarefas pequenas, porém básicas, para lutarem contra a ditadura, como transporte de militantes, comunicação, abrigo e cuidado de feridos e etc.

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O militante Carlos Marighella mostrando o local do corpo onde foi baleado em uma emboscada em 1964.

Infelizmente, alguns frades foram perseguidos e capturados pelos agentes da repressão, e sob uma cruel tortura, passaram informações que levaram a emboscada de Marighella.

Esta história é narrada por frei Betto no livro “Batismo de Sangue”, lançado em 1983 e ganhador do prêmio Jabuti.

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Capa do livro “Batismo de Sangue”, escrito por frei Betto e lançado em 1983.

Além disso, o livro inspirou a produção do filme homônimo, dirigido por Helvécio Ratton, lançado em 2007. Veja abaixo o trailer do filme:

Dia 08/11, celebramos a memória dos dominicanos mortos e, nessa mesma data, publicaremos um texto especial sobre o assunto neste Blog.

Um fraterno abraço, e rezemos pelos nossos mortos!

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