Celebração da Quarta-feira de Cinzas na Basílica de Santa Sabina

por Osvaldo Meca e frei Mariano Foralosso

Olá a todas e todos. Como vão? Como foi passar o carnaval em retiros,  viagens,  bloquinhos?

Mas, todo carnaval acaba na quarta-feira de cinzas.

Talvez tenha acompanhando pelo Facebook ou outra rede social que o Papa Francisco I foi celebrar as Cinzas na Basílica de Santa Sabina, Roma, e sede da Cúria da Ordem dos Pregadores. Mas, porque o Papa vai até lá? Desde quando?

Perguntamos para frei Mariano, que viveu em Roma por muito tempo, e também já foi professor de história da igreja, sobre esta tradição. Confira o que ele tem a nos ensinar:

Desde os primeiros séculos as comunidades cristãs, de maneira especial a de Roma,  foram organizando a celebração do novo culto, tendo como foco central os fatos e os mistérios da vida de Cristo. Central entre eles foi a celebração da paixão, morte e ressurreição: a celebração da Páscoa.  Os catecúmenos, quer dizer os que se preparavam para receber o Batismo na vigília pascal (Sábado Santo), viviam um tempo forte de quarenta dias de penitências e orações, imitando Jesus que antes de começar a sua missão pública viveu por quarenta dias no deserto.  Quarenta dias, quadraginta,  quaresma.  Também a comunidade cristã, de maneira especial os parentes do catecúmeno, participavam  deste período de preparação: se estabeleceu assim o tempo da Quaresma, tempo forte de purificação, com penitências, jejuns, esmolas etc. 

Nesta celebração marcou muito a reflexão sobre a vaidade da vida terrena e a necessidade da conversão, do desapego e da humildade, para se preparar para a verdadeira vida: a vida eterna. O rito da ‘imposição das cinzas’ no primeiro dia da quaresma foi estabelecido para lembrar ao cristão estas verdades:  as palavras que acompanhavam o rito da imposição das cinzas eram muito eloquentes:   ‘memento homo quia cinis es et in cinerem reverteris’, ou seja , ‘lembre-se, homem, que você é cinza e ás cinzas terá de voltar’. 

Papa Francisco I celebra a Quarta-feira de Cinzas na Basílica de Santa Sabina. Na foto vemos o Papa e o mestre da Ordem dos Pregadores, frei Bruno Cadoré.

Papa Francisco I celebra a Quarta-feira de Cinzas na Basílica de Santa Sabina. Na foto vemos o Papa e o mestre da Ordem dos Pregadores, frei Bruno Cadoré.

A ‘imposição das cinzas’ era para todo batizado, até para o Papa.  Desde o século VI d.C., na época de papa Gregório Magno,  está documentada a celebração deste rito da imposição das cinzas,  na comunidade de Roma. O Papa e os fieis se reuniam na igreja de Santa Anastasia,  e em procissão subiam a colina do Aventino,  até a basílica de Santa Sabina. Aqui , primeiro o Papa e depois o clero e todos os fieis presentes recebiam na cabeça as cinzas e escutavam o solene alerta: ‘memento homo quia cinis es et in cinerem reverteris’. Era a primeira ‘estação’ da Quaresma, que se repetia durante o tempo da Quaresma nas várias basílicas e igrejas de Roma, até a Páscoa.

Ali atrás vemos nosso companheiro, frei André Boccato, esperando para cumprimentar o Papa Francisco I.

Ali atrás vemos nosso companheiro, frei André Boccato, esperando para cumprimentar o Papa Francisco I.

Esta tradição da primeira Estação de Quaresma na basílica de Santa Sabina, permaneceu intacta nos séculos até o século XVIII quando foi interrompida devido as situações difíceis dos tempos.  Em 1962 Papa João XXIII a retomou, e até hoje, na quarta feira de cinza, o Papa, com muitos cardeais, bispos, padres e fieis de Roma e do mundo inteiro fazem a procissão da igreja de Santo Anselmo até a basílica de Santa Sabina (oficiada a mais de oito séculos pelos frades Dominicanos) e aqui o Papa recebe por primeiro  as cinzas, e depois a coloca na cabeça de todos, sempre lembrando a todos e todas que a vida aqui é uma passagem e  que é preciso se preparar para a vida verdadeira que nos espera lá no céu.

A basílica de Santa Sabina foi doada em 1219 pelo papa Honório III a São Domingos fundador da Ordem dos Pregadores (Dominicanos) e até hoje no convento contíguo mora o Mestra da Ordem com a sua Cúria. Nesta ocasião de Quarta feira de Cinzas  o Papa costuma visitar o convento contíguo à basílica  e se encontrar com o Mestre da Ordem e a Comunidade dos frades. “

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