Dom Tomás e Dom Celso

por Frei Cristiano Bhering, OP

Nos últimos dias, a Igreja, e em especial, a província brasileira da Ordem dos Pregadores perderam dois de seus mais diletos filhos. Do ponto de vista humano e afetivo, realmente a morte dos dois foi uma grande perda, porém, do ponto de vista da fé católica, um grande ganho, tendo em vista que com as páscoas de Dom Tomás Balduíno, OP (02/05) e de Dom Celso Pereira de Almeida, OP (11/05) a Igreja ganha mais dois santos para interceder pelo povo.

Dom Tomás Balduíno, nascido em 31/12/1922 na cidade de Posse, no estado de Goiás, ainda adolescente entra na escola apostólica dos frades dominicanos em Uberaba (MG). Em 1942 é admitido no noviciado da Ordem dos Pregadores, na cidade de Uberaba e emite seus votos em 01/08/1943. Inicia seus estudos de filosofia em São Paulo e depois, vai à Saint Maximin (França) concluir o curso de Teologia e obter a licença em Teologia. Em 04/07/1948 é ordenado presbítero. Voltando ao Brasil no início dos anos 50, trabalha como professor e na escola apostólica de Juiz de Fora (MG). Em 1957 é enviado para trabalhar na missão indigenista mantida pelos dominicanos em Conceição do Araguaia (PA). Nesse período tem um frutífero trabalho missionário. É nomeado Administrador Apostólico da Prelazia de Conceição do Araguaia em 1965 e em 1967 é designado bispo da diocese de Goiás, sendo sagrado em 26/11 do mesmo ano. Exerceu seu ministério episcopal até dezembro de 1998, quando retornou ao convento dominicano. Continuou exercendo, até as vésperas da morte, diversos trabalhos.

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Dom Celso Pereira de Almeida, por sua vez, nasceu em 07/03/1928 na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo (SP), também entra adolescente na escola apostólica de Santa Cruz do Rio Pardo. Em 1946, é admitido no noviciado da Ordem dos Frades Pregadores na cidade de São Paulo (SP), emitindo os primeiros votos em 11/02/1947. Estuda em São Paulo o curso de filosofia, e concluiu o curso de teologia em Bolonha (Itália). Foi ordenado presbítero em 04/08/1953. Ao voltar ao Brasil exerceu diversos trabalhos pastorais, foi pároco em São Paulo e Goiânia, secretário do regional da CNBB do centro-oeste. Foi nomeado bispo auxiliar da diocese de Porto Nacional (TO), sendo sagrado em 22/04/1972. Em 1976 assume a diocese de Porto Nacional. É transferido para a diocese de Itumbiara (GO) em 1995, trabalhando lá até a sua renúncia em 1998. Depois disso volta ao convento. Exerceu diversos trabalhos, foi superior de casa, mestre de noviços. Para todos foi um modelo da obediência religiosa.

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Os dois bispos exerceram importante trabalho pastoral. Foram sempre do lado dos marginalizados da sociedade e dos menos favorecidos. Dom Tomás foi o bispo dos índios, sendo inclusive fundador do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) e também o bispo da reforma agrária, sendo também fundador da CPT (Comissão Pastoral da Terra). Dom Celso foi o bispo dos sertanejos, o pastor que sempre está junto de suas ovelhas e atento às suas necessidades. Os dois foram defensores dos direitos humanos, lutadores contra a grilagem de terra e o trabalho escravo. Foram bispos que agiram não somente no campo religioso, mas procuraram, com todos os esforços, a construção do reino em prol dos menos favorecidos. Temos certeza, que após a páscoa dos dois frades-bispos, eles ainda nos serão ainda mais úteis que aqui na terra, porque estarão intercedendo por nós ao Pai em favor da construção de um mundo baseado na vivência do Evangelho.

 

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