Dominicanos e Jovens Dominicanos missionários em Conceição do Araguaia

por frei Mariano Foralosso, assessor nacional do MJD Brasil

Nosso assessor nacional e parceiro de missão, Fr. Mariano, nos traz uma mensagem onde fala um pouco da relação entre a missão dominicana e a origem da cidade que nos acolherá durante a missão, Conceição do Araguaia.

“Caros jovens do MJD, de 07 até 14 de Julho um belo grupo de vocês realizará uma Missão em Conceição do Araguaia (PA). Eu também estarei presente. Será com certeza uma grande e bela experiência!  Durante a nossa estadia em Conceição teremos oportunidade de conhecer melhor a história da cidade e da atuação missionária dos Dominicanos franceses (frades e irmãs),  que foi fundamental para o surgimento da Igreja e o desenvolvimento social em toda a região de Goiás, Tocantins e Sul do Pará. Por agora, envio a vocês algumas notícias essenciais,  para melhor entender o contexto histórico e o sentido na nossa missão.

A Ordem dominicana, antiga de oito séculos, veio ao Brasil somente no final de 1800. A primeira fundação foi em Uberaba (MG) a partir de 1881, por iniciativa dos dominicanos franceses.  Logo em seguida vieram também as irmãs dominicanas de Monteils, também elas francesas.  O objetivo primeiro da Missão era a evangelização dos Índios que viviam nas matas e ao longo dos rios do interior quase desconhecido, nas regiões que atualmente correspondem a Goiás, Tocantins e sul do Pará.  Uberaba foi um primeiro ponto de apoio, em vista desta missão junto aos índios ‘pagãos’.  Sempre com o objetivo da evangelização dos índios, em 1883 foi fundada a casa de Goiás Velho (antiga capital do Estado de Goiás).

A partir deste centro, os missionários franceses foram entrando no sertão desconhecido, estabelecendo contatos e laços amizade com os Índios, e dando assistência religiosa ao povo cristão que vivia espalhado na região.    Eram longas caminhadas numa terra quase totalmente inexplorada, e também navegações de barco ao longo dos rios imensos que cortam esta região, sobretudo o Tocantins e o Araguaia. Foram se multiplicando as fundações missionárias, desde Goiás Velho até Porto Nacional (1886) e Marabá. Muitos destes pontos missionários foram a primeira semente daquelas que agora são cidades e também dioceses dos três Estados.  O trabalho de nossos missionários tinha duas pistas operativas: a evangelização dos Índios e a assistência religiosa ao povo que vivia espalhado e totalmente abandonado na imensa região.  Todo ano se organizavam expedições chamadas ‘desobrigas’ para levar aos sertanejos a Palavra de Deus e os Sacramentos, e para encontrar e evangelizar os Índios. Os frades e as irmãs, vindos de um país totalmente diferente, escreveram páginas de verdadeiro heroísmo missionário. Vários deles morreram por causa de doenças tropicais e do clima.

Para garantir um contato mais eficaz com as tribos de Índios que viviam ao logo do rio Araguaia foram estabelecidos pontos de apoio e de acolhida estáveis.  Aqui os Índios eram acolhidos e evangelizados.  Este foi o caso de Conceição do Araguaia. Em 1896 o missionário frei Gil de Vilanova foi procurando, ao longo do rio Araguaia, um lugar que fosse mais alto, para evitar o problema das enchentes do rio. Ele encontrou este lugar na margem esquerda do rio e aqui fundou uma ‘Catequese’ para os Índios que, em honra de Nossa Senhora, chamou de ‘Conceição do Araguaia’.  Este foi o começo da cidade de Conceição, onde o MJD fará a sua experiência missionária. Aos poucos os missionários acolheram de forma mais estável, numa espécie de internato, meninos e meninas filhos dos Índios, que os pais confiavam aos cuidados dos frades e irmãs, para que os educassem na fé cristã e na civilização dos brancos.

Assim tudo o que encontraremos em Conceição teve sua origem na ação dos nossos missionários e missionárias,  filhos de São Domingos. O centro de Catequese se tornou um polo de referência também para os sertanejos que moravam na região. Muitas famílias se transferiram para Conceição e assim foi crescendo um novo centro urbano. Um frade arquiteto construiu a bela catedral, trazendo as pedras de muito longe. As irmãs construíram o colégio onde foram educadas as novas gerações da cidade. Aqui funcionou a primeira estação de  Rádio. Nos anos ’40 frei Pedro Secondí, com a ajuda de toda a população, construiu a pista para o pouso dos aviões da FAB.  Os frades dominicanos trabalharam em Conceição até o começo dos anos ’80.  As irmãs continuam presentes e nos acompanharão na nossa missão.

Esta missão do MJD será um evento muito significativo para Conceição, e também para os próprios jovens. É a nova geração dominicana que renova a presença e a ação missionária de São Domingos nestas terras regadas pelo suor e o sacrifício fecundo de tantos dos seus filhos: frades, irmãs, leigos e leigas dominicanos.  Tenho certeza que a nossa passagem em Conceição será uma daquelas experiências que a gente nunca vai esquecer! Vamos lá com coração de irmãos e de aprendizes. De fato este povo tão acolhedor e tão rico de sabedoria,  tem muita coisa para nos ensinar! Com certeza cada um de nós, voltando para sua casa, poderá constatar o quanto aprendeu!

Que São Domingos e todos os missionários e missionárias que nos precederam em Conceição nos abençoem.

Até breve!”

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