Viva Santos Reis!

Hoje é Dia de Reis e da Epifania do Senhor, uma das festas tradicionais mais singelas da Igreja Católica. Mas o que celebramos?

Comemoramos a visita de um grupo de reis magos, guiados por uma estrela do oriente, a Jesus recém-nascido, o filho de Deus que se fez humano como nós.

Para ajudar a compreender e rezar o sentido dessa data em nossas vidas, separamos dois textos que tratam do assunto. Confira, abaixo, o que Santo Agostinho e São Leão Magno têm a nos dizer.

dia de reis

– Santo Agostinho, doutor da Igreja (séc. V)

Sermão na Epifania do Senhor 200,4

(PL38, 1.030-1.031)

A pedra angular uniu a si judeus e gentios

Agora, pois, amadíssimos, filhos e herdeiros da graça, considerai vossa vocação e, uma vez manifestado Cristo aos judeus e aos gentios, juntai-vos a ele com amor incansável como a pedra angular. De fato, nos inícios de sua infância se manifestou tanto aos que estavam próximos como estavam longe. Aos judeus, na proximidade dos pastores; e aos gentios, na distância dos magos. Aqueles chegaram no mesmo dia em que ele nasceu; estes, segundo se crê, no dia de hoje. Manifestou-se a eles, pois, sem que os primeiros fossem sábios nem os segundos justos, pois na rusticidade dos pastores predomina a ignorância, e nos sacrilégios dos magos, a impiedade.

Aquela pedra angular uniu a si uns e outros, que escolheu o néscio do mundo para confundir aos sábios, e chamar não aos justos, mas aos pecadores, para que ninguém, por maior que seja, ensoberbeça-se e ninguém ainda que seja o menor, perca a esperança. Assim se explica que os escribas e os fariseus, ainda que se tinham por muito sábios e justos, ao mesmo tempo em que, lendo os divinos oráculos mostraram a cidade em que havia de nascer (o menino), ao edificar o rechaçaram. Mas como o menino se tornou pedra de alicerce, o que mostrou ao nascer o cumpriu ao morrer.

Juntemo-nos a ele em companhia de outra parede em que estão os restos de Israel, que por eleição gratuita se salvaram. Eles, que haviam de unir-se proximamente, estão simbolizados naqueles pastores, para que também nós, cuja vocação significava a chegada de longe dos magos, permaneçamos nele não mais como peregrinos e hóspedes, mas como concidadãos dos santos e familiares de Deus, coedificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Cristo a pedra angular. Ele que fez dos dois povos um só, para que no um amemos a unidade e possuamos uma caridade infatigável, para recuperar os galhos que, provindo da oliveira-brava, também foram enxertados; porém,desgalhados pela soberba, converteram-se em hereges. Poderoso é Deus para enxertá-los de novo!

– Dos Sermões de São Leão Magno, papa

(Sermo 3 in Epiphania Domini, 1-3.5: PL 54,240-244)            (Séc. V)

O Senhor deu a conhecer a salvação ao mundo inteiro

Tendo a misericordiosa Providência de Deus decidido vir nos últimos tempos em socorro do mundo perdido, determinou salvar todos os povos em Cristo.

Esses povos formam a incontável descendência outrora prometida ao santo patriarca Abraão; descendência gerada não segundo a carne, mas pela fecundidade da fé, e por isso comparada à multidão das estrelas, para que o pai de todos os povos esperasse uma posteridade celeste e não terrestre.

Entrem, pois, todos os povos, entrem na família dos patriarcas, e recebam os filhos da promessa a benção da descendência de Abraão, à qual renunciaram os filhos segundo a carne. Que todos os povos, representados pelos três Magos, adorem o Criador do universo; e Deus não seja conhecido apenas na Judéia mas no mundo inteiro, a fim de que por toda parte o seu nome seja grande em Israel (Sl 75,2).

Portanto, amados filhos, instruídos nos mistérios da graça divina, celebremos com alegria espiritual o dia das nossas primícias e do primeiro chamado dos povos pagãos à fé, dando graças a Deus misericordioso que, conforme diz o Apóstolo, nos tornou capazes de participar da luz que é a herança dos santos; ele nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no reino de seu amado Filho (Cl 1,12-13). Pois, como anunciou Isaías, o povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu (Is 9,1). E ainda referindo-se a eles, o mesmo profeta diz ao Senhor: Nações que não vos conheciam vos invocarão e povos que vos ignoravam acorrerão a vós(cf. Is 55,5).

Esse dia, Abraão viu e alegrou-se (Jo 8,56) ao saber que seus filhos segundo a fé seriam abençoados na sua descendência, que é Cristo, e ao prever que, por sua fé, seria pai de todos os povos. E deu glória a Deus, plenamente convencido de que Deus tem poder para cumprir o que prometeu (Rm 4,20-21).

Esse dia, também Davi cantou nos salmos, dizendo: As nações que criastes virão adorar, Senhor, e louvar vosso nome (Sl 85,9). E ainda: O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça (Sl 97,2).

Como sabemos, tudo isso se realizou quando os três Magos, chamados de seu longínquo  país, foram conduzidos por uma estrela, para irem conhecer e adorar o Rei do céu e da terra. O serviço prestado por esta estrela nos convida a imitar sua obediência, isto é, servir com todas as forças essa graça que nos chama todos para Cristo.

Animados por esse desejo, amados filhos, deveis empenhar-vos em ser úteis uns aos outros, para que no reino de Deus, aonde se entra graças à integridade da fé e às boas obras, resplandeçais como filhos da luz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos.

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