Juventude missionária na luta contra o trabalho escravo

por Bárbara Dias*

Liberdade roubada, dívida forjada, jornada exaustiva, condições degradantes, humilhações e violências físicas e psicológicas, essa ainda é a realidade de milhares de trabalhadoras e trabalhadores brasileiros. O trabalho escravo contemporâneo pode existir debaixo de nossos olhos, com nosso vizinho, com nossos amigos, com um parente ou com um desconhecido. No ambiente urbano ou rural, nós, juventude missionária, precisamos estar atentos, abertos para ouvir com o coração, para saber que há algo de muito importante no que o outro nos fala e, assim, acolher e fazer parte dessa luta que há mais de 500 anos vem sendo travada contra a escravidão.

Expostos a realidades de extrema vulnerabilidade econômica e social, homens e mulheres, movidos pela necessidade de buscarem no trabalho meios de sobreviver, caem nas armadilhas das diversas máscaras da superexploração do capitalismo. Hoje, vendida pela mídia tradicional como “Pop”, o agronegócio é um dos maiores responsáveis pela escravidão contemporânea, que constantemente expulsa e rouba as terras dos povos que dela vieram e dela precisam para viver. Com o discurso de desenvolvimento e progresso, des- envolvem as famílias antes enfronhadas em seus territórios tradicionalmente ocupados, para envolve-las nos processos de exploração dos grandes empreendimentos, das grandes empresas de mineração, de madeireiras e para a expansão dos monocultivos que destrói florestas inteiras, envenenam rios e a comida posta sobre nossas mesas.

Durante a ditadura civil-militar, o governo brasileiro promoveu uma forte campanha de “ocupação” da região amazônica. Com o discurso de que era “Terras sem homens para homens sem terra”, atraiu diversos trabalhadores e trabalhadoras, vindas, principalmente, do nordeste, em busca da terra prometida, onde havia “leite e mel” com fartura. Simultâneo a isso, o governo deu generosos incentivos fiscais para grandes empresas, nacionais e multinacionais, para investirem na agropecuária, no agronegócio. Essas mesmas empresas, conhecidas mundialmente, como a Volkswagen, não apenas desmataram milhares de hectares no meio da Amazônia, elas também foram responsáveis de tornar esses trabalhadores escravos, de explora-los e violenta-los como podiam.

Hoje, essa realidade na Amazônia e em outras regiões do país não se difere muito dos tempos sombrios da ditadura. O governo brasileiro anda de braços dados com a poderosa bancada ruralista, e os incentivos para a expansão das fronteiras do agronegócio estão a todo o vapor. Fecham os olhos para as violações ambientais e sociais, atropela povos indígenas e comunidades tradicionais, e tentam calar a voz daqueles que lutam por mais igualdade e justiça. Precisamos ficar de olho aberto também no que consumimos, de onde vem, como é produzido. Hoje, é possível verificar na “Lista Suja” empresas e fazendas responsáveis de cometer esse tipo de violência contra a humanidade, que não só acontece nos interiores de nosso país, onde dificilmente temos acesso, mas também na indústria da moda e nas construções civis dos grandes centros. Fiquemos atentos, ontem, hoje, agora e sempre!

Somos juventude em ação, na luta por terra, justiça e paz.

* agente do Conselho Indigenista Missionário- Norte II

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