Uma semana para alimentar o convívio e a liberdade

por Gregório Leal Oliveira*

Estamos vivendo mais uma Semana de Oração pela Unidade Cristã, e neste ano somos motivados pelas Igrejas do Caribe a trabalhar o tema: “A mão de Deus está semeando em nossa terra, plantando sementes de liberdade, esperança e amor”. E em tempos de carestia que a sociedade mundial continua vivendo, o ecumenismo tem agido como agente transformador de ideais que geram morte em ideais de vida e libertação.

Ao se pensar em libertação, o fator ecumênico não pode estar desconectado, pois a própria liberdade só tem sentido quando pensada para todos(as), precisa-se ir além das diferenças políticas, culturais, geográficas e eclesiais, tanto que hoje já falamos em macro ecumenismo, em que as ações que buscam reconciliação, transformação, amor ao próximo e libertação, vão além do próprio cristianismo. O Arcebispo emérito da Igreja Anglicana da África do Sul, Dom Desmond Tutu, escreveu um livro em que o título é “Deus não é cristão”, pois na sua concepção se reduzirmos Deus somente ao cristianismo, estaremos também reduzindo a Deus, reduzindo seu onipotente amor para com toda a Criação, seus filhos e filhas.

O Apóstolo Paulo quando escreveu aos Romanos no capitulo 10º, versículo 12, diz “Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam.” O recorte desta epistola nos mostra que o ideal de igualdade e de que Deus é para todos sem distinção, torna-se uma das bases do Cristianismo, e que batizamos de Ecumenismo inspirados na palavra grega “oikouméne” que significa mundo habitado, toda a terra… e que advém de “oikos” que significa casa, lugar onde se vive. Dessa forma, o nosso compromisso com a libertação vai muito além das barreiras e limites criados por nós, em nossos quintais. Deus nos chama a transformar e libertar a toda Criação que habita neste lugar incrível que recebemos para viver, e quando o CONIC nos chama para uma semana de oração e convívio intensivo, nos mostra que é possível viver em harmonia os Cristãos de diversas denominações religiosas, que somos filhos e filhas do mesmo Pai Celestial, que um novo olhar libertador é possível entre nós, e que aquilo que nos une é muito maior que o que nos separa. Um dos teóricos da teologia da libertação, chamado Rubem Alves, tem um pensamento muito interessante e que deve ficar em nossas mentes e corações ao refletirmos o Ecumenismo e a Libertação, ele diz “Deus nos deu asas, mas as religiões inventaram gaiolas”. Que possamos transpor essa semana para nossa vida inteira e que o ecumenismo, e a libertação que vem de Deus estejam em nossas pautas continuamente.

* Postulante da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

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