Mulheres camponesas ou Mulheres trabalhadoras Rurais

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por Raimara Arruda*

Quem são as mulheres camponesas? De acordo com a definição do Movimento de Mulheres Camponesas, mulher camponesa, é aquela que sozinha ou juntamente com o grupo familiar, produz o alimento e garante a subsistência da família. É a pequena agricultora, a pescadora artesanal, a quebradeira de coco, as extrativistas, arrendatárias, meeiras, ribeirinhas, posseiras, bóias-frias, diaristas, parceiras, sem terra, acampadas e assentadas, assalariadas rurais, quilombolas e indígenas.

O campo é composto por uma grande diversidade de sujeitos que vivem lugares muito diferentes, possuem individualidades, história e necessidades específicas. Essas diversidades são enfrentadas por mulheres que lutam por melhores condições de vida, é um movimento que está diretamente ligado aos conflitos pela posse da terra, e que foi se ampliando para a luta por direitos sociais, como o direito de ser reconhecida como agricultora, ou trabalhadora rural, o direito à participação, assim como a luta contra as desigualdades de gênero, o combate à violência doméstica, a luta por políticas públicas de educação, saúde, entre outras.

Ao longo de anos, tem se ouvido o grito das mulheres camponesas, través de movimentos e organizações pelo país, que acabam se tornando politicas publicas.  Esses movimentos e organizações como: Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), Comissão Pastoral da Terra ( CPT), Movimento dos Sem Terra (MST), Movimentos das Mulheres Camponesas (MMC), entre outros, reúnem as mulheres em busca de levar a voz do campo, a luta cotidiana e a experiência das dificuldades enfrentadas na busca por seus direitos. O dia a dia dessas mulheres são cheios de dificuldades e desafios, desde o alimento à mesa, a escola para os filhos, o direito a moradia, à saúde e uma vida digna no campo. A busca por melhores condições de vida e por direitos são constantes e árduos. As mulheres camponesas estão na lida.

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Comunidade São Miguel – Goiatins (TO). Foto: Rafael Oliveira

Mulheres camponesas são lutadoras, revolucionárias, militantes, dirigentes de movimentos, são cheias de crenças e esperança, são exemplo de força, fé, amam a natureza e mesmo com tantos percalços carregam em si a alegria, a fraternidade e a perseverança.

A mulher do campo, luta, chora, resiste, sonha… a mulher do campo, planta, colhe, vende, produz… a mulher do campo ama seu chão, tem alegria de ver o verde brotar, tem o sonho de direitos alcançar e de um dia pela sobrevivência  não ter que implorar.

*Raimara é de Tocantins, mas atualmente participa do MJD Curitiba.

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Igualdade de Gênero

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por Geovana Brito*

Quando recebi o convite para refletir brevemente sobre a questão da igualdade de gênero, celebrando o Dia Internacional da Mulher, a primeira coisa que me veio em mente foram as edições anteriores da série “Mulheres do MJD”. Lembrei-me do quanto ouvir a voz de pessoas tão próximas à mim, mulheres que eu admirava, falando sobre temas tão essenciais – e tão pouco discutidos no âmbito da Igreja – me despertou o interesse, e me abriu os olhos para questões tão fundamentais, e que hoje são de tamanha relevância para mim. Logo, pensei: o que eu poderia falar de tão inspirador sobre esse assunto, quanto o que eu ouvi um dia?

De fato recordando-me deste projeto do MJD e do lançamento do Livro-Agenda Latino-americana 2018, que justamente tem por tema o assunto sobre o qual aqui nos detemos, não me ocorreu nada tão indispensável que eu pudesse falar, que já não tenha sido trazido à luz anteriormente. Tantas estatísticas, dados, relatos de situações de desigualdade, encontramos aos montes – se procurarmos. É um tema mais divulgado atualmente do que vinha sendo há algumas décadas. Entretanto, os progressos que fazemos enquanto conscientização da grande maioria da população, vem a passos lentos. Temos muito o que percorrer nesse caminho em direção à igualdade.

Então acredito que na verdade, o melhor que tenho para trazer à essa discussão, é uma provocação. Inspirada pelo próprio Livro-agenda já mencionado acima, que é repleto de textos excelentes sobre a questão sobre a qual nos debruçamos, resolvi trazer a metodologia que este propõe na sua organização: o ver/recordar, o julgar/sonhar, e o agir.

Pensando em nosso próprio cotidiano, homens e mulheres, acredito que somos capazes de identificar as mais diversas barbaridades em relação à desigualdade de gênero (o “Mapa da desigualdade de gênero”1 e o “Relatório sobre a igualdade de gênero no mundo”2 são bastante informativos neste sentido). Me questiono: enxergo essas desigualdades, institucionalizadas e veladas, nas realidades em que estou inserido? Como eu me porto diante delas?

No que diz respeito à atitude de julgar essa realidade observada, o que proponho é que nos interpelemos: onde eu posso estar mais atento? Porque ter uma consciência humilde das nossas faltas, acredito que seja o que pode nos levar enfim à uma atitude verdadeiramente fraternal (ou “sororal”, como disse José Maria Vigil) para com todos nossos irmãos e irmãs. Afinal de contas, nascemos inseridos nessas sociedades que há tempos reproduzem pensamentos, comportamentos e valores machistas. Não seria muita ingenuidade acreditar que num passe de mágica ligamos um botão e pronto, paramos de replicar atitudes machistas? Se faz necessário sonharmos esse mundo equânime possível, a partir de nossas próprias ações.

Quanto ao agir, proponho que com ânimo e generosidade nos empenhemos em refletir e entender como e o quê podemos fazer em nossas vidas, para sermos promotores do Reino, de dignidade, e da vida – e vida em abundância! – para as tantas mulheres ao nosso redor oprimidas, silenciadas, marginalizadas, excluídas.

* Geovana é do MJD São Paulo e vice-coordenadora da cataquese do Crisma da Paróquia São Vicente de Paulo

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1. Livro-Agenda latino-americana 2018, página 19.

2. Livro-Agenda latino-americana 2018, página 20 e 21.

Violência contra a Mulher

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por Giovanna Araújo*

“As mulheres são como água, crescem quando se encontram”.

O ano de 2018 se iniciou com um terrível caso de feminicídio, em que uma jovem de 22 anos foi assassinada pelo seu ex-companheiro de quem havia se separado há cerca de 6 meses. Não bastasse a morte, o autor do crime teve a audácia de andar com a jovem morta na garupa de sua moto, desfilando e mostrando à vizinhança o crime que acabara de cometer.

Por essa e tantas outras, o dia 8 de março é muito mais de luta que de comemoração. É mais espinhos, que flores. Muito mais cansaço, que descanso. É sangue, muito sangue.

O Brasil é o quinto país com maior taxa de feminicídio no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O QUINTO PAÍS. Logo, se faz necessária a discussão e efetivação de políticas públicas voltadas para a proteção da vida da mulher, em caráter de urgência. Para além disso, é necessário também, discutir a abordagem de violência contra a mulher nas igrejas. Isto porque a igreja, exerce uma responsabilidade muito grande de combate às injustiças.

É preciso que os religiosos tenham consciência do peso de suas palavras sobre a vida das pessoas, e nesse contexto de violência contra mulher, é fundamental a cautela e o zelo, principalmente ao repassar mensagens de textos vindos da Sagrada Escritura. Eu, por exemplo, já presenciei uma celebração onde o celebrante relatava que Deus odeia o divórcio, e que se a mulher casou, que aguentasse o fardo, aliás, “Deus só dá o fardo que você consegue carregar”. Dessa forma, as igrejas podem aumentar a dimensão dos mitos advindos de uma sociedade machista  e patriarcal.

A interpretação distorcida e o mau entendimento das Escrituras, faz com que a mulher vítima de abusos acabe estendendo uma relação tóxica, e vivendo diariamente a realidade de violência doméstica.

Na relação conjugal,  somos convidados a amar um ao outro. O amor não machuca, não violenta, pelo contrário, respeita e oferece escolhas para que a pessoa se sinta tão amada a modo de que ela queira ficar, dessa vez, não somente por preceitos religiosos, mas também por reciprocidade. Deus pode até odiar o divórcio, mas também odeia que um homem se cubra de violência (Malaquias 2:16).

A igreja precisa ser quem acolhe, não quem afasta e silencia as vítimas em situação de violência. Se a minha igreja reforça os mitos, cala a voz de quem clama ajuda, ou não permite a contestação de uso indevido das Escrituras, então a minha igreja está compactuando com a violência que o próprio Cristo combateu.

Ademais, é importante assumir que a violência contra as mulheres é generalizada, e as igrejas não estão excluídas dessa problemática. Nesse ano de 2018, onde a Campanha da Fraternidade adota o tema “Fraternidade e Superação da Violência”, é essencial que seja aproveitado um espaço para abordagem da violência contra a mulher, e também viabilizar ações de combate.

Como seres criados a imagem e semelhança de Deus, merecemos dignidade e respeito. Não podemos aceitar de braços cruzados que uma mulher tenha seus direitos violados, ou na pior das hipóteses, sua vida ceifada.

Em Cristo somos todas irmãs, assim resistiremos, lutaremos.

*Coordenadora de Missão e Caridade do Movimento Juvenil Dominicano do Brasil (MJDBR)

Maria e o Dia Internacional da Mulher

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por Mariana Bongiorno*

“Maria, Maria

É um dom, uma certa magia

Uma força que nos alerta

Uma mulher que merece

Viver e amar

Como outra qualquer

Do planeta

Maria, Maria

É o som, é a cor, é o suor

É a dose mais forte e lenta

De uma gente que ri

Quando deve chorar

E não vive, apenas aguenta…”

Neste dia em que fazemos memória a tantas “Marias” oprimidas e excluídas da sociedade ontem e hoje, que lutaram e lutam (algumas até a morte) em busca de dignidade e direitos humanos, não poderíamos deixar de fazer memória também e, sobretudo, à Maria, mãe de Jesus, por tudo o que ela representa em uma história marcada pelo patriarcado e pelo machismo.

O nome “Maria” era dado às mulheres mal vistas pela sociedade da época, pois fazia memória à Myriam, do Antigo Testamento, a qual havia sido amaldiçoada por se opor ao casamento de seu irmão com uma mulher etíope. Neste contexto, Maria era uma mulher simples, do povo e muito sensível às necessidades dos mais pobres.

Ainda que marginalizada pela sociedade patriarcal da época, Deus escolheu a jovem e pobre mulher da Galileia para trazer ao mundo o Messias, consagrando assim, a participação fundamental das mulheres na salvação do mundo. Deus escolheu uma mulher para gerar o seu Filho.

Em sua acolhida profunda ao projeto de Deus, Maria exerceu sua missão com gratuidade ofertando seu “Sim” generoso e materno. Tornou-se, então, paradigma de discipulado e seguimento de Jesus.

Jesus, em seu projeto de anunciar o Reino de Deus a todos e todas, rompe com o patriarcalismo da sociedade da época ao solidarizar-se com mulheres enfermas e marginalizadas e incluí-las em seu projeto em condições de igualdade e reciprocidade. Assim, as mulheres nas primeiras comunidades cristãs eram sujeitas atuantes em diversos ministérios. Com o passar dos séculos, a Igreja solidificou sua estrutura, clericalizando os ministérios e concentrando-os nas mãos dos homens da hierarquia.

Muitas outras mulheres, a exemplo de Maria, deixaram sua marca e seu protagonismo a serviço do Reino. Podemos citar Santa Maria Madalena, Santa Catarina de Sena, Santa Luísa de Marillac, Irmã Dorothy, Zilda Arns e tantas outras mulheres santas, religiosas, leigas, anônimas que dedicam cada dia em favor da justiça, dos direitos humanos, da não violência e do Amor. A atuação feminina em trabalhos pastorais, lideranças e articulações é extremamente relevante para a missão da Igreja em todo o mundo.

Por isso, homens e mulheres hoje são convidadas/os a refletir, a luz do exemplo de Maria, sobre nosso papel junto à sociedade e à Igreja. Qual sociedade e qual igreja queremos construir?

Ganhamos o dia 8 de Março, porém a causa ainda não foi vencida. Tomos muito ainda por fazer e conquistar.

Que Maria, junto a seu Filho, nos inspire a sermos instrumentos da mudança em nossas realidades.

* Coordenadora Nacional do Movimento Juvenil Dominicano do Brasil (MJDBR)

Nota: atualmente, dos 6 grupos do Movimento Juvenil Dominicano do Brasil, 5 são coordenados por mulheres, eleitas democraticamente.

Referência

DOMECI, M. C. A mulher na história do Cristianismo. Agenda Latinoamericana 2018: Igualdade de Gênero. São Paulo, Brasil.

 

Carta aos leigos da Ordem dos Pregadores

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Roma, 25/01/2018, festa da conversão de São Paulo

Estimadas irmãs e irmãos leigos/as da Ordem dos Pregadores,

É no espírito da celebração do Jubileu da Ordem que me dirijo a vocês que, durante estes próximos meses, prepararão o congresso internacional do laicado dominicano. Em todas as regiões, esta assembleia será indubitavelmente, um evento muito importante de celebração da graça dada a Ordem de ter irmãs e irmãos leigos como membros ativos de sua missão. Segundo a especificidade de cada região, também será uma oportunidade para considerar novamente a forma em que a vocação laica é, mais que nunca, essencial para que a Ordem integre, da melhor maneira possível, a proclamação da boa nova da vinda do Reino. Para toda a Ordem, e de acordo com a visão do congresso para a missão da Ordem que marcou a celebração do Jubileu em janeiro de 2017, expresso o desejo de que esta reunião seja motivo de uma exigente chamada a uma criatividade apostólica que integre verdadeiramente a participação específica dos leigos da Ordem. É assim que esta última poderá servir melhor ao mundo e a Igreja mediante a pregação. Oitocentos anos depois da determinação de Domingo de enviar seus irmãos aos quatro cantos do mundo conhecidos em seu tempo, me parece que este envio necessita hoje de uma atualização, não somente mantendo o interesse por uma dispersão “geográfica”, mas também buscando estabelecer a pregação da Ordem, enriquecendo-a com diversidade de culturas e de estados de vida e entendendo que é através da riqueza desta diversidade que a Ordem se encontra hoje chamada a manifestar sua identidade de ser apenas um “corpo de pregação” enraizado na comunhão em uma única chamada a “ser totalmente deputados, representantes da evangelização da Palavra de Deus”.

Como todos sabemos, a realidade das Fraternidades Laicas da Ordem é muito diversa segundo a região; seu dinamismo é desigual aqui e ali, e sua integração plena na vida da Ordem varia. Também sabemos como podemos demorar demais e gastar muita energia para nos questionarmos sobre a “identidade” dominicana das fraternidades sem que sempre se consigam os frutos da vida que esperamos. No entanto, como muitos de vocês, estou convencido de que a vida dos leigos da Ordem não virá de uma tensão nas formalidades e estruturas, mas na audácia de escutar o chamado feito à Ordem, porque é a Ordem dos Pregadores, para servir a missão da Igreja que, como Povo de Deus em peregrinação na história (Lumen Gentium), se converte incessantemente no que é chamada a ser proclamando a vinda do Reino. Não é este o caminho pelo qual nos guiam tantos dominicanos laicos, como Pier Giorgio Frassati ou Giorgio La Pira? Segundo o Concílio Vaticano II, é essencial recordar que os leigos mediante seu batismo são «feitos participantes, a seu modo, da função sacerdotal, profética e real de Cristo » e «exercem na Igreja e no mundo a missão de todo povo cristão» (Lumen Gentium 31).

O símbolo da fraternidade

A eleição de referir-se aos membros laicos da Ordem não mais como “Terceira Ordem”, mas como “Fraternidades Leigas dominicanas” destaca um aspecto central da proclamação do Reino que, com toda a Ordem vocês estão chamados a desenvolver. Para Domingo, que desde o começo de sua missão em Languedoc quis que o chamassem de “Irmão Domingo”, a fraternidade está estreitamente conectada com a proclamação do Reino. Irmãos e irmãs que não se reúnem depois de eleger-se entre eles, mas que se recebem como amigos de Deus, aprendendo uns com os outros como converter-se em membros e atores de uma família de filhos e filhas do mesmo pai. Ser um símbolo de fraternidade no coração da vida secular é ser um sinal de que os humanos levam dentro de si a capacidade de viver como irmãos, ou seja, estabelecer entre eles relações que, assumindo sua diversidade, os unem em solidariedade na mesma filiação e no mesmo desejo de serem enviados a este mundo como testemunhas da Palavra e da vida da graça de Deus.

Durante as minhas visitas à Ordem, me convenço cada vez mais de que isto é para toda a Ordem, em cada ramo segundo seu próprio modo, uma forma de responder a chamada de Paulo VI quando no Evangelium nuntiandi escrevia: « O homem contemporâneo escuta com mais boa vontade aos que dão testemunho do que aos que ensinam […] ou se escutam aos que os ensinam é porque dão testemunho» (EN, 41). Como “pregadores da graça”, somos chamados a ser estas testemunhas, “parábolas da comunhão”, despertadores no mundo de todas as capacidades humanas para chegar a ser mutuamente irmãos e irmãs, no coração da história concreta da humanidade, que, então, se transforma. Ao escrever isto, também gostaria de ampliar meu objetivo mais além do que apenas um “ramo” da Ordem para enfatizar que, sob esta perspectiva, o próprio carisma evangelizador da Ordem não pode definir-se pela soma das diferentes “funções” dos evangelistas, mas são baseadas nesta realidade “quase sacramental” da incessante aparição da fraternidade humana. Também é frequentemente a experiência vivente da fraternidade que, por sua vez, nos leva a aprofundar nosso desejo da “proclamação do Reino”. Além disso, a partir do ponto de vista deste símbolo de fraternidade, me parece que podemos considerar a diversidade de formas “seculares” de estar vinculados à Ordem; não somente para ser aliados na realização de uma função, um projeto ou uma obra, nem para estar ligados apenas pela amizade com este ou aquele indivíduo ou comunidade, mas para participar na aventura de uma fraternidade que aspira a falar no mundo do que este mundo é essencialmente capaz. Neste sentido, creio que devemos mais do que nunca considerar juntos as diferentes formas em que os leigos desejam estar “vinculados” à Ordem de Domingo, ou seja, viver ao mesmo tempo a experiência da Igreja que o Espírito estabelece como fraternidade e convidar a outros para encontrar sua alegria nesta mesma experiência.

É dentro deste horizonte que gostaria de destacar alguns dos desafios que os leigos da Ordem devem ajudar a última a acolher e identificar pelo bem da missão de pregação de todos.

O evangelho da família

Como todas as realidades dominicanas, às fraternidades leigas e os grupos do movimento internacional da juventude dominicana, segundo seu próprio caminho (ou seja, essencialmente por um tempo limitado, já que a juventude passa!) – situam no centro de seu projeto a conversão por e à fraternidade. De certo modo, estas realidades fraternas complementam o que são às comunidades fraternas das pessoas consagradas, precisamente porque estas tomaram uma decisão que às situa de uma maneira nova na relação com sua própria família, enquanto que os leigos, ao escolher pertencer à Ordem como tais, escolhem fornecer esta nova pertença, esta nova forma de realizar o carisma de seu batismo como um dom frutífero dentro de sua vida familiar.

Me parece que ainda não colhemos coletivamente toda a riqueza desta escolha. Se a Igreja, em sua vontade de renovar em profundidade e radicalmente sua missão de evangelização afirma agora a necessidade do “Evangelho da família” (Amoris laetitia, 63), destacando que a família como tal (e se trata da família normal, não “ideal”, com suas alegrias e desgostos, suas belas e jubilosas realizações, assim como suas dolorosas mas às vezes férteis disfunções), deve ser completamente “agente da evangelização”, o que significa para a pregação da Palavra da verdade? Além disso, como podemos ajudar a descobrir, no coração da história do mundo, que a família é, em si mesma, evangelizadora, testemunho da graça de Cristo que é “graça da fraternidade”.

Dentro das famílias e na história de cada uma delas marcadas pelo êxito e pelo caos é onde o ser humano aprende o que significa converter-se em pai ou mãe, irmão ou irmã, filho ou filha. Estas realidades fundamentais da vida humana não são antes de tudo categorias morais e virtuosas sobre às quais a “Igreja” teria que oferecer um discurso teológico e moral que guie os comportamentos. São as realidade da vida humana através das quais todo ser humano está chamado a reconhecer a graça da revelação do Nome de Deus. Como muitos de vocês, posso atestar o fato de que muitas fraternidades são lugares onde todos e todas podem compartilhar livres e confiantes (e, claro, com medida e discrição) sua experiência familiar e encontrar o apoio que esperam. Me parece que as religiosas e os religiosos da Ordem que, naturalmente tem sua própria experiência pessoal de vida familiar mas que levam uma vida atípica neste sentido, necessitam ser educados pelas experiências de seus irmãos e irmãs leigos. Assim, a pregação de todos se beneficia da diversidade real das experiência crentes, que são lugares de inteligência da obra da graça. Me dirijo aos leigos da Ordem para que contribuam para a definição na Ordem, da maneira mais relevante, ao integrar o “Evangelho da família” no centro de suas pregações e ministério pastoral.

No centro da Igreja

Como em todas as outras ramificações da Ordem, a realidade comunitária – “parábola da comunhão”, retomando a bela expressão do Irmão Roger de Taizé – é uma parte integrante da evangelização da Palavra de Deus mediante a qual se constrói a Igreja. Obviamente, tem formas específicas na vida secular dominicana; entretanto, é essencial. Seu testemunho tem mais peso hoje uma vez que a Igreja me parece particularmente sensível à dimensão comunitária da fé compartilhada e a procura da verdade. Frequentemente se diz entre os leigos da Ordem que a fraternidade se nutre para vivificar os compromissos que muitos tem em sua própria paróquia, mas também por sua própria experiência e habilidades, para ir às fronteiras e esses “lugares de fratura” onde se desafia a justiça, a dignidade e o direito das pessoas e povos, onde a proclamação do evangelho é tão importante. É motivo de ação de graças o ver através da combinação das diversas formas de pertença à Ordem, as grande orientações da pregação da Ordem tão frequentemente mencionadas em nossos Capítulos.

Mas, além disso, o testemunho e a experiência das fraternidades devem encontrar no centro das comunidades eclesiais seu próprio papel a serviço da implantação da dimensão missionária da Igreja. Assim ocorre nas comunidades paroquiais, mais além do único “funcionalismo pastoral”, e sem confusão com os muitos movimentos apostólicos ou espirituais que os compõem. Mas também é o testemunho dos muitos leigos comprometidos fora das estruturas eclesiais usuais em muitas realidades sociais e culturais, manifestando assim a aspiração da Igreja de ampliar continuamente sua rede em direção às dimensões de mundos que hoje estão cada vez mais unidas.

Incluo aqui que a realidade demográfica dos leigos da Ordem em certas regiões nos convida a prestar atenção à forma que acolhemos, integramos e cuidamos das pessoas idosas entre nós: cada grupo humano, creio, revela algo de sua própria humanidade na forma em que assume com gratidão, responsabilidade e solidariedade para com os mais velhos.

A diversidade das experiências de fé em diálogo para uma proclamação comum

No Concílio Vaticano II, a Constituição Gaudium et Spes insistia que a Igreja podia ter a sorte de receber a experiência de um compromisso com as tarefas seculares do mundo vivido pelos leigos. Não se trata  principalmente de reforçar uma distinção entre o ministério “sagrado” e o compromisso “na realidade do humano”. Mas, mais uma vez, se trata de reconhecer com gratidão a diversidade da experiência na fé. O teólogo moral que procura tornar inteligível a complexidade da medicalização atual da procriação, por exemplo, não terá a mesma experiência de fé que o médico ou estudioso que através de sua rotina diária de consultas e intervenções, escuta os desejos e sofrimentos de seus pacientes. O homem ou a mulher de “igreja” que, frequentemente fascinados pelo potencial sem precedentes das novas tecnologias digitais, pretendem integrar-se nestas novas redes sociais para uma comunicação mais moderna e efetiva, certamente não tem as mesmas interrogações de fé dos leigos cristãos profissionais que diariamente são questionados pelo progresso e os poderes de uma técnica que continua seus avanços, excedendo o que jamais se poderia imaginar. Em muitos países onde está presente a Ordem, as realidades sociais, econômicas e políticas marcam a vida dos leigos de uma maneira muito diferente de como marcam as instituições da vida consagrada. A participação na vida secular como profissional e ator no mundo das empresas, da pesquisa e ensino, dos negócios ou no setor associativo, a preocupação ecológica ou a liderança em comunidades humanas dá um conteúdo à experiência de fé que deve integrar-se à dinâmica global da proclamação do Reino. A migração forçada por razões econômicas, políticas ou religiosas, as consequências da globalização para aquelas partes da população que são vítimas, no lugar de receber os benefícios, deixam um rastro na vida de muitas irmãs e irmãos leigos da Ordem e suas famílias, e nossa comunhão fracassaria na sua plena verdade se esquecêssemos esta realidade.

Da mesma forma, creio que é importante salientar a experiência específica dos leigos nos mundos contemporâneos no campo dos pluralismos religiosos que implicam não somente muitas sociedades, mas também frequentemente suas próprias realidades familiares ou profissionais. Estas realidades muitas vezes confrontam muito diretamente os leigos da Ordem com o ateísmo, agnosticismo, a indiferença religiosa, o ceticismo, inclusive a hostilidade contra o cristianismo e, às vezes, contra qualquer religião. Em muitas partes do mundo, os leigos da Igreja são os que mais diretamente se enfrentam com a intensa criação de novas igrejas evangélicas que afetam diretamente a si mesmas. São frequentemente os leigos, mais que o clero da Igreja, os que devem discernir e dialogar nestes contextos. Além disso, agora cristianismo, judaísmo, islamismo, grandes religiões da Ásia e religiões tradicionais da África se encontram num mesmo lugar e está claro que participam na construção de relações dentro da diversidade de nossas sociedades e marcam as vidas das famílias através de alianças e migrações. Portanto, os leigos ocupam uma posição privilegiada para notar que diálogo ecumênico e o diálogo inter-religioso são, hoje mais que nunca, uma prioridade para a missão da Ordem.

Neste contexto de pluralismo religioso, e também diante da ignorância, os preconceitos, os temores e todas as formas de repúdio que vemos aqui e lá com respeito às outras grandes religiões do mundo, a tradição da amizade, a confiança na capacidade de solidariedade humana e a reflexão crítica realizada em diálogo com outros em busca de uma maior inteligibilidade da verdade, nos impulsiona a ser mais que nunca, homens e mulheres de diálogo entre culturas e religiões.

Partindo de todos estes pontos de vista, os leigos dominicanos tem uma dupla responsabilidade, ad extra e ad intra (para fora e para dentro). A responsabilidade de participar na implantação da criatividade humana, inspirada na vida evangélica e o desejo apostólico, ao serviço da construção de um mundo habitável para todos. E também a de contribuir para integrar no centro da vida de toda a Ordem a profunda consciência de que uma fraternidade de pregadores está chamada a ser vulnerável a tudo o que fere o homem e a aprender em solidariedade com as vítimas e os marginalizados do mundo, para discernir os signos dos tempos em diálogo com aqueles a que a Ordem deseja transmitir a Palavra. O recente capítulo geral dos irmãos da Ordem, pedia a eles que se obrigassem, ao menos uma vez por ano, a estudar juntos o contexto de sua pregação. Me parece que fazer isto em diálogo com os leigos da Ordem seria extremamente frutífero para todos. É, creio, um serviço muito específico que a Ordem deve fornecer à Igreja: contribuir para que a experiência da fé em conversação com o conhecimento e as práticas contemporâneas contribuam para a elaboração de uma inteligibilidade teológica da conversação de Deus no mundo.

Os mundos dos jovens

No centro desta leitura do contexto da evangelização, se deve conceder um lugar privilegiado à atenção para as realidade experimentadas pelos jovens. Desde todas as perspectivas, os jovens representam os que abrirão novos caminhos para o futuro assim como os que buscam a transmissão das tradições e culturas que os precedem. São dessa vez os que aprendem mais rápido a controlar muitos dos avanços do mundo moderno e aqueles que este mundo esquece, marginaliza ou instrumentaliza com facilidade. São os mais expostos à erosão das crenças religiosas argumentadas criticamente mais além das únicas reações emocionais assim como os mais profundamente marcados pela “interculturação” que caracteriza os mundos contemporâneos. O Papa Francisco, ao convocar o próximo Sínodo dedicado aos jovens, à fé e ao discernimento vocacional, convida toda a Igreja a pôr este tema no centro de sua reflexão. A raiz de sua vida familiar e profissional, os leigos da Ordem estão na linha de frente, me parece, para estimular toda a Ordem a responder a esta chamada do Papa.

Por esta razão, de uma maneira muito particular, quis convidar toda a Ordem a tomar parte na preparação de tal sínodo, com base aos muitos compromissos dos irmãos, irmãs e leigos nos mundos, culturas e atividades nas quais os jovens são o centro e motivo. Também por esta razão, me parece tão essencial promover neste momento o movimento juvenil internacional dominicano (IDYM ou MJD) que dentro da Ordem oferecem a possibilidade aos jovens de dar a sua vocação de jovem cristão este tom particular de evangelização no estilo de São Domingos. Se bem temos em muitos aspectos muitas experiências bonitas de “pastoral juvenil”, este movimento se fundou para dar aos jovens a possibilidade de desenvolver eles mesmo iniciativas pastorais, as discernindo na raiz dos elementos estruturais da evangelização segundo a tradição dominicana. Mais uma vez neste campo, esta tradição poderá mostrar sua grande riqueza para promover a autonomia e a criatividade específica de cada um e afirmar aos mesmo tempo o grande valor do diálogo intra e intergeracional para o melhor serviço da proclamação do Reino.

Uma fraternidade de discernimento e de <<acompanhamento de vida>> mútuo

Também desejo mencionar aqui uma questão que se apresenta repetidamente em muitas fraternidades e em todas as culturas onde a Ordem está presente: as situações conjugais chamadas “irregulares”. Em sua Exortação Apostólica Amoris laetitia, o Papa Francisco, enfatizando o discernimento necessário da grande diversidade em tais situações, insiste em dizer: <<Se trata de integrar a todos, se deve ajudar a cada um a encontrar sua própria misericórdia <<imerecida, incondicional e gratuita>>. Ninguém pode ser condenado para sempre, porque essa não é a lógica do Evangelho!>> (AL, 297). Prossegue mencionando o consenso geral ao qual chegaram os Padres sinodais: <<À respeito de um enfoque pastoral dirigido às pessoas que se casaram no civil, que são divorciadas e voltam a se casar, ou que simplesmente convivem, compete à Igreja revelar a divina pedagogia da graça em suas vidas e ajudar a alcançar a plenitude do desígnio que Deus tem para eles>> (AL, 297). Se referindo aos batizados divorciados que voltaram a se casar civilmente, o Papa retoma a posição expressa no Sínodo por muitos, que diz que eles <<devem ser melhor integrados na comunidade cristã nas diversas formas possíveis, evitando qualquer ocasião de escândalo. A lógica da integração é a chave de seu acompanhamento pastoral, para que não somente saibam que pertencem ao Corpo de Cristo que é a Igreja, mas também possam ter uma experiência feliz e fecunda. São batizados, são irmãos e irmãs, o Espírito Santo derrama neles dons e carismas para o bem de todos. Sua participação pode expressar-se em diferentes serviços eclesiásticos: é necessário, para isto, discernir entre as diversas formas de exclusão atualmente praticadas no âmbito litúrgico, pastoral, educativo e institucional, as quais podem ser superadas. Eles não só não tem que sentir-se excomungados, como também tem que sentir que podem viver e amadurecer como membros vivos da Igreja, sentindo-a como uma mãe que os acolhe sempre, os cuida com afeto e os anima no caminho da vida e do Evangelho. Esta integração é também necessária para o cuidado e a educação cristã de seus filhos, que devem ser considerados o mais importante>> (AL, 299). Certamente, como escreve o Papa, há uma grande diversidade de situações mencionadas durante o Sínodo, sem esquecer as situações que vivem os batizados homossexuais, e é importante promover <<um responsável discernimento pessoal e pastoral dos casos particulares, que deveriam reconhecer que, posto que <<o grau de responsabilidade não é igual em todos os casos>>, as consequências ou efeitos de uma norma não necessariamente devem ser sempre as mesmas>> (AL, 300). Me parece que estas reflexões são particularmente relevantes para ajudar a nossas fraternidades a abordar com serenidade casos em que se devem acolher e integrar às fraternidades a irmãos e irmãs que vivem estas situações. A questão não deveria ser se devam acolher ou repudiar, mas sim pensar como sua pertença a uma fraternidade pode ser uma das formas em que a Igreja os acompanhará e acolherá o desenvolvimento dos próprios dons recebidos do Espírito. Certamente as fraternidades leigas da Ordem não deveriam ser lugares em que não se respeitem as regras da Igreja ou lugares onde a “dispensa excepcional” destas regras se possa conceder com facilidade. Se trata mais de assumir um duplo compromisso. Por uma parte, ser um lugar de acolhida, discernimento e acompanhamento: <<Quando se encontra uma pessoa responsável e discreta, que não pretende pôr seus desejos acima do bem comum da Igreja, com um pastor que sabe reconhecer a seriedade do assunto que tem em mãos, se evita o risco de que um determinado discernimento leve a pensar que a Igreja sustenta uma dupla moral>> (AL, 300). Por outra parte, também o compromisso de assegurar que a realidade do <<sinal de fraternidade>> que as Fraternidades leigas da Ordem tem a missão de oferecer na Igreja e no mundo, inclua a realidade sempre incompleta e imperfeita da existência humana que inicia o caminho de conversão em resposta à chamada para a santidade. Portanto, depende de nós, segundo o caso, encontrar juntos as formas de viver, celebrar e pregar em nossas fraternidades, tendo em conta a situação dos membros vinculados pela solidariedade fraterna. Me parece que este é um desafio particularmente importante para nossa Ordem que todos os dias dá graças por ter sido chamada a ser pregadora de graça e misericórdia, <<verbo et exemplo>>. Portanto, convido a todos os priores provinciais e responsáveis provinciais dos leigos dominicanos para que incluam este tema na ordem do dia da reflexão em suas províncias com atenção à missão dos leigos na Ordem para definir modalidades concretas de acolhida e acompanhamento dos irmãos e irmãs afetados por estas situações. Os peço para que o façam em diálogo com os Ordinários locais e que apresentem um comunicado de suas conclusões durante os capítulos provinciais dos leigos e dos irmãos e uma síntese durante o próximo capítulo geral.

Talvez alguns de vocês tenham esperado que esta carta abordasse questões mais relacionadas com os problemas estruturais de nossas Fraternidade: ajustes necessários da Regra, modalidades para formação, estruturas de “governo”, modalidade da vida dos leigos na “província”, status e papel das assembléias regionais… Tudo isto é importante, e incentivo às regiões que tenham abordado estes temas a compartilhá-los antes da assembléia de modo que esta última possa debatê-los e propor pautas, segundo corresponda. Mesmo assim, estes temas devem se abordar serenamente e sem tensão, para não considerar às fraternidade como um fim em si mesmas, mas sim segundo seu próprio fim: estar à serviço da proclamação da Palavra. Por isso insisto que estas adaptações necessárias de nossas estruturas devem manter sempre como principal horizonte, porque é o horizonte da vida, os desafios da evangelização que a Ordem deseja enfrentar reforçando a comunhão fraterna entre todas suas ramificações. Ao ter como fonte e horizonte tal determinação para a evangelização, as estruturas realmente darão todos seus frutos. E também, quando esta determinação é simples e exigente, é quando alguém pode definir como adaptar as estruturas para satisfazer novas necessidades, novas chamadas de leigos que desejam que o carisma de seu batismo se desenvolva à luz da intuição evangélica e apostólica de Domingos. Por acaso não difundiu este último gradualmente seu desejo de dar à Igreja uma Ordem de Pregadores acolhendo aqueles que, reconhecendo a relevância de sua intuição, pediram que os acolhesse?

Muito fraternalmente,

Frei Bruno Cadoré, op

Mestre da Ordem dos Pregadores


Tradução: Geovana Brito, Maryane Lopes e Mayara Jacomassi.

Para acessar a carta original, clique aqui.

Partilha: Encontro Regional Norte 2017 – MJD Brasil

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Entre os dias 02 e 04 de novembro de 2017, nós do MJD de Porto Nacional, tivemos o privilégio de receber a Mariana Bongiorno – coordenadora nacional do MJD, e o Leonardo De Laquila – assessor do MJD, para ministrar o Encontro Regional Norte que teve como tema: “Projeto de Vida: Maria e o nosso lugar no mundo”.

Foi um momento muito rico para o grupo, e como recentemente acolhemos novos integrantes, foi ainda mais especial, pois os “calouros” ainda não tinham participado de uma experiência como essa.

No decorrer do encontro, rezamos no sentido de nos aprofundar sobre a importância de Maria na história. Fomos instigados à reflexão de como a intimidade dela com Deus fez com que ela tivesse coragem para seguir os planos de Deus para sua vida.

Três jovens partilharam um pouco de suas experiências durante o Encontro Regional:


“Em três dias, vi o que não conseguia ver há anos… Não foi apenas um encontro com pessoas que conheço e desconhecidas, foi um encontro com o meu Deus, um encontro que eu pude conversar, ter uma intimidade que há muito tempo eu não conseguia… E assim em três dias eu consegui ser sensível ao que Deus fez e minha vida! “Javé te protegeu e te protegerá, para todo sempre, amém.”

Rayla Aretuza, 19 anos

“Nos dias 02/11/2017 e 03/11/2017 tive a oportunidade de participar do Encontro Regional do MJD. Foi um encontro maravilhoso e espero participar de outros encontros como esse, que infelizmente não pude ir todos os dias. Mas, tive vários conhecimentos, pude conhecer mais sobre Deus, saber um pouco mais sobre fé… Tive algumas dúvidas, mas agora estou em busca da minha felicidade! “Onde está o teu tesouro, ali estará o teu coração!”

Samara Crystian, 15 anos

“As experiências vividas nos encontros do MJD são sempre marcantes. O encontro regional  norte,  ocorrido  no  início  de  novembro,  para  mim  teve  um  gosto  mais especial ainda, pois alguns amigos já fazia bastante tempo que não os via. O tema abordado foi muito rico e poder partilhá-lo com os novos membros e com as irmãs dominicanas tornou mais especial ainda. A maneira como os assuntos são abordadas sempre me chama bastante atenção.  A reflexão do ”quem sou”  e a  reflexão mais profunda do meu ser nos levaram à construção de uma linha do tempo que me fez lembrar  de  muitas  experiências  e  ali  descobrir  o  sentido  de  cada  uma,  além  de auxiliar  na  elaboração  de  um  projeto  de  vida,  tendo  Deus  como  base  e auxílio/intercessão  de  Maria.  Poder  refletir  de  maneira  mais  profunda  alguns trechos bíblicos significou muito para mim, de maneira especial pensar um pouco no versículo que diz ”onde está o seu tesouro ali estará o meu coração”. Não poderia deixar de falar o quanto me marcou a insistência e indagação ao refletirmos a leitura que traz a passagem da anunciação à Virgem Maria, quantas interrogações lançadas! Mas o mais lindo para mim foi ver o quanto a Valande, religiosa do Haiti, demonstrou seu encantamento, amor e comoção ao tentar sentir o que Maria passou, foi muito gratificante  presenciar  aquilo.  Do  mais  o  encontro  foi  maravilhoso.  Saudade  de todos já.”

 Luciana, 23 anos

Cada um possuiu uma experiência diferente durante o encontro, mas o que ficou guardado no coração de todos, é que precisamos ter sensibilidade para conseguir enxergar as vontades de Deus em nossas vidas, compreendemos que falar é ótimo, mas silenciar a boca e o coração para ouvir o que Deus nos fala, as vezes é muito melhor.


Nosso projeto de vida precisar ter um alicerce firme, que tenhamos sempre a sabedoria de deixar com que Deus o seja!

 

Inscrições abertas para o Encontro Regional Sudeste do MJD Brasil

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Com o sentimento de esperança no coração e motivados pelo tempo quaresmal, que é tempo de conversão e mudanças, o Movimento Juvenil Dominicano (MJD) abre as inscrições para mais uma edição de seu Encontro Regional. A edição da região sudeste do evento abrirá a sequência de Encontros de 2017 e será realizada em São Paulo (SP), no Centro de Juventude Anchietanum, de 21 a 23 de abril.

Neste ano, em sintonia com a celebração jubilar dos 300 anos da aparição da imagem de nossa Mãe Aparecida, o MJD promoverá seus Encontros Regionais com o tema Projeto de Vida: Maria e o nosso lugar no mundo, buscando oferecer dias de aprofundamento, oração e formação para jovens que, de alguma maneira, possuem ou tem contato com a espiritualidade dominicana.

Para participar do encontro é necessário preencher o formulário de inscrição e pagar a taxa de contribuição no valor de R$ 60,00 durante o encontro, que inclui os gastos com a hospedagem e alimentação durante os dias do evento. Caso você tenha interesse e disponibilidade em participar do encontro, mas não possui condições financeiras, venha falar conosco. 😉

Clique aqui < para preencher o formulário.

Em caso de dúvidas, escreva para mjdsvp@gmail.com. As inscrições estarão abertas até dia 17/04. Teremos lojinha do MJD durante o encontro, portanto, venha preparado. 🙂


Informações gerais:

Encontro Regional Sudeste para jovens de espiritualidade dominicana

Data: 21 a 23 de abril de 2017

Local: Centro de Juventude Anchietanum – São Paulo, SP

Endereço: Rua Apinajés, 2033, Sumarezinho – São Paulo, SP (próximo a estação Vila Madalena de metrô)

Taxa de contribuição: R$ 60,00 (pagamento durante o evento)

Inscrições: preencher formulário acima

Partilha do Encontro Internacional da Juventude Dominicana: Relatos dos participantes brasileiros

Do dia 16 a 21 de julho de 2016, em Tolouse, na França, foi realizado o Encontro Internacional do Movimento Juvenil Dominicano (MJD), reunindo cerca de 140 jovens dominicanas e dominicanos de 26 países. O Encontro marcou também a participação da juventude na celebração dos 800 anos da Ordem dos Pregadores.

O evento, organizado pela equipe de trabalho da Coordenação Internacional do MJD, conhecida como InternationalDominicanYouthMovement (IDYM), contou com atividades formativas, culturais, de espiritualidade e até mesmo com uma peregrinação que percorreu alguns dos trajetos por onde São Domingos passou – caminho intitulado de Passos de São Domingos. Ao fim da programação foi realizada a assembleia eletiva que definiu, democraticamente, os integrantes da próxima equipe de coordenação do IDYM, que assumirá o posto de trabalho a partir de 2017.

O Brasil foi representado oficialmente pela companheira Lívia Alfonsi, que mora em São Bernardo do Campo (SP) e integra o MJD em São Paulo (SP). Também participaram do evento os brasileiros Leonardo De Laquila, promotor internacional de Missão e Caridade do IDYM, e frei Mariano Foralossso, OP, assessor nacional do MJD no Brasil. Confira, abaixo, relatos destes participantes sobre as experiências vividas na França.

IDYM 2016

Partilhas dos participantes

‘’140 participantes de 26 países. Se o encontro internacional da juventude dominicana fosse expresso por esses números, creio que não seria o suficiente. Julho de 2016, ano comemorativo dos 800 anos da Ordem, resolvemos comemorar em assembleia junto às nossas raízes históricas. Fanjeaux, Pruilla, Montreal, Carcassone e Toulouse; lugares que além transpirar dominicanismo, nos acolheram de uma forma maravilhosa. Particularmente partilho uma experiência particularmente especial. Em pleno Domingo do Senhor estávamos juntos às Monjas de Pruilla.  Fomos convidados pela Priora do monastério, a irmã Jean Baptiste, a cantar o Salve Regina no claustro do convento. Momento mágico no berço da Ordem. Fiquei imaginando quantas histórias foram escritas naquele pedaço de terra, oito séculos de orações incessantes. Agora éramos nós participando dessa história. Quando entramos no claustro, um grande silêncio tomou conta dos nossos corações. Olhares apreensivos que foram rapidamente afetados pelo Hino das comemorações do jubileu dominicano. Laudare, Benedicere, Praedicare… a música tomou conta do grupo e marcou o ritmo dos nossos passos. Entramos no claustro formando duas filas e nos encaminhamos para o pátio do convento para dentro do mistério e em frente aos olhos de uma belíssima imagem de N. Senhora. Silêncio, ela olhava para nós e nós para ela. Salve Regina Dominicana, a oração cantada que mais me encanta sendo entoada em uma grande monofonia. Uma massa de vozes de culturas tão distintas afinada em unidade. Deus é bom e adora nos envolver em sua beleza!’’

 Leonardo De Laquila, 35 anos // Promotor Internacional de Missão e Caridade do IDYM

‘’Essa foi minha primeira experiência no Encontro Internacional. E foi uma experiência intensa. Intensa de trabalho, intensa de oração e partilha. Poder viver tão próximo durante uma semana de pessoas de culturas e línguas diferentes e saber que temos um mesmo ideal, é fascinante.

 O que mais me marcou foi visitar o Monastério de Pouille. As monjas, as mulheres que São Domingos pensou primeiro. Mulheres fortes e inteligentes. Me inspiraram durante o Encontro e seguem me inspirando.’’

Lívia Essi Alfonsi, 25 anos // Coordenadora e integrante do MJD em São Paulo (SP)

 

 

 

Semana Dominicana: Testemunho de vida e diálogo

Por ocasião do dia de São Domingos e do Jubileu de 800 anos da Ordem dos Pregadores trazemos aqui o segundo texto da série #SemanaDominicana, que nos apresenta uma sequência de reflexões sobre temas importantes da espiritualidade dominicana. Hoje vamos conhecer um pouco sobre como São Domingos se relacionava com os hereges e o que ele fazia para combater a ”heresia”.

Esses textos trazem parte das fontes dominicanas e foram produzidos pelo promotor de missão e caridade do IDYM, Leonardo De Laquila, e pelo Frei Mariano Foralosso, assessor do MJD-BR, por ocasião do encontro internacional do YDIM. Jovens dominicanos do mundo todo tiveram a oportunidade de rezar esses temas enquanto peregrinavam pelos caminhos por onde Domingos passou oitocentos anos atrás.

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Testemunho de vida e diálogo

A vida de São Domingos, sua missão de pregador e a própria fundação da Ordem foram profundamente marcadas pelo ‘encontro’ com o desafio e os apelos do Catarismo. Para contrapor as doutrinas erradas desta heresia, Domingos se entregou totalmente à pregação itinerante. Para dar resposta adequada aos questionamentos doutrinais e morais dos hereges, ele colocou o estudo como um dos pilares fundamentais da vida dominicana. Para convencer e levar os hereges à conversão pelo exemplo de vida, pela força da palavra e pelo diálogo, mais do que pela violência e a coerção, Domingos se converteu ao seguimento radical de Cristo, tornando-se “um homem plenamente evangélico que em tudo seguiu os passo do seu Senhor.” Neste sentido ele representa para nós um exemplo do respeito das ideias e da consciência dos outros e do diálogo religioso.

Frei Domingos mostrava-se afável para com todos, ricos e pobres, judeus e gentios. Era amado por todos, exceto pelos hereges e inimigos da Igreja, que ele questionava, procurando convencê-los com suas pregações e disputas. Ele ouviu dizer e também viu pessoalmente que sempre os tratava com caridade, os exortava e os induzia a fazerem penitência e a se converterem à verdadeira fé. (Fonte, B. Jordão, Libellus, n. 27)

Foi promovida, em certa ocasião, uma controvérsia geral contra os hereges, à qual o bispo local queria assistir com o cortejo faustoso e grande magnificência. Mas o bem-aventurado Domingos lhe disse: Assim não, pai, não é assim que devemos sair contra eles. Os hereges hão de se convencer mais com a humildade e outros exemplos de virtude do que com aparências exteriores e argumentos de palavras. Armemo-nos, pois, com fervorosas orações e, dando mostras de verdadeira humildade, saiamos com os pés descalços a lutar contra Golias.

O bispo acreditou no homem de Deus e, deixando as ricas cavalgaduras, saíram descalços. O local marcado para o debate estava bastante longe. Depois de terem andado muito começaram a duvidar se fosse aquele o caminho certo, e para se assegurarem perguntaram a um homem que julgaram católico, mas que na realidade era herege. Sim, senhores – disse ele – ensinar-vos-ei com bom gosto o caminho e com prazer vos acompanharei até o local. E ele, maliciosamente, conduziu-os por certo atalho cheio de espinhos e ramos cortantes que lhe cobriam os pés e as pernas de sangue. O homem de Deus, sofrendo tudo isso com paciência e louvando o Senhor, exortava a todos a glorificar a Deus, dizendo: Caríssimos, confiai no Senhor que a vitória será nossa, pois os nossos pecados foram purgados com sangue. Aquele herege, dando-se conta da sua admirável e risonha paciência e comovido com aquelas palavras, confessou a sua perversa intenção e abjurou a heresia. Ao chegarem ao local tudo correu favoravelmente para eles. (Fonte: Vitae Fratrum, parte II, cap. 2)

Reconhecendo a glória de Deus em nossas vidas.

  • Quais coisas Deus nos permitiu construir para o seu Reino?
  • Quais são as atividades que desenvolvemos enquanto MJD ou jovem cristão ? E que mais gosto de realizar?

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Ficha técnicaTextos: Frei Mariano Foralosso, op, e Leonardo De Laquila | Imagem: Bruno Alface | Ilustração: Leonardo De Laquila | Organização: Victor Alarcon, Mariana Bongiorno e Bruno Alface

Semana Dominicana: Oração e vida contemplativa de São Domingos

Por ocasião do dia de São Domingos e do Jubileu de 800 anos da Ordem dos Pregadores trazemos aqui o segundo texto da série #SemanaDominicana, que nos apresenta uma sequência de reflexões sobre temas importantes da espiritualidade dominicana. Hoje, vamos conhecer um pouco sobre como São Domingos rezava e como sua oração se relacionava com sua ação.

Os textos dessa série trazem citações das fontes dominicanas e foram produzidos pelo promotor de missão e caridade do IDYM, Leonardo De Laquila, e pelo Frei Mariano Foralosso, assessor do MJD-BR, por ocasião do encontro internacional do YDIM. Jovens dominicanos do mundo todo tiveram a oportunidade de rezar esses temas enquanto peregrinavam pelos caminhos por onde Domingos passou oitocentos anos atrás.

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Oração e vida contemplativa de São Domingos

São Domingos teve uma existência muito ativa, de muitas viagens e muitos contatos com as pessoas, de incansáveis andanças apostólicas pelas regiões do sul da França e pela Europa toda. O ‘carisma’, o projeto de vida que ele vivenciou e transmitiu aos seus seguidores é essencialmente apostólico: tudo em função da missão, tudo para a pregação! Mas ao mesmo tempo ele foi um grande contemplativo, homem de oração e de comunhão profunda com Deus. Santo Tomás de Aquino sintetiza o projeto de vida de São Domingos e dos membros da Família Dominicana no binômio ‘contemplação e ação’: contemplação na ação e para a ação. As testemunhas das fontes dominicana, de maneira especial daqueles que conheceram e conviveram com Domingos, são unânimes em relatar isso.

Com muita frequência costumava pernoitar nas igrejas, tanto que nunca ou raramente parecia ter tido um leito para repousar. Rezava assim durante a noite e perseverava vigiando, na medida em que conseguia exigir da fraqueza do corpo. E quando, afinal, acumulando-se o cansaço e afrouxando o espírito, a necessidade de sono gritava mais alto, encostando a cabeça no altar ou em outro lugar qualquer, ou sobre uma pedra, como o patriarca Jacó (Gen. 28,11), descansava um pouquinho e logo recuperava a força do espírito e o fervor da oração.
(Fonte: B. Jordão, Libellus, n. 106)

Depois de olhar para a relação que São Domingos tinha com Deus, você agora é convidado a observar a sua vida e a refletir sobre sua relação com Deus e com o próximo.

  • Quais são os pontos frágeis na sua relação com Deus? Como fortalecer essa relação?
  • Quais são seus pontos frágeis na sua relação com as pessoas próximas?
  • Como a sua relação com Deus afeta sua relação com as pessoas?

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Ficha técnicaTextos: Frei Mariano Foralosso, op, e Leonardo De Laquila | Imagem: Bruno Alface | Ilustração: Leonardo De Laquila | Organização: Victor Alarcon, Mariana Bongiorno e Bruno Alface