Mulheres do MJD: Natália Ruiz

por Natália Ruiz*

Sinto que ser mulher dentro da Igreja, assim como fora dela, é lutar todos os dias por nosso espaço e por nossa voz. Questionando valores arraigados em nós desde o nascimento.

Leiam esse trecho sobre o feminismo dentro da Igreja:

“O feminismo também entrou nas igrejas. As mulheres emergem em voz e em visibilidade, questionando uma prática, uma instituição, uma linguagem, e uma teologia. Não significa que antes não estivessem presentes. Ao contrário, sempre estiveram presentes na vida da Igreja, mas sua presença era tida como auxiliar, e não como pessoa com cidadania plena. Com a nova consciência, as mulheres se articularam coletivamente em caminhos de transformação, em todas as instâncias práticas e da construção do saber”. (Introdução da Tese de Doutorado: Inculturação da Fé no Contexto do Feminismo de Gloria Josefina Viero).

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*Natália Ruiz de Oliveira, 26 anos, é oceanógrafa e trabalha com oceanografia social atuando em comunidades tradicionais do litoral.

Mulheres do MJD: Lidiane Harue

*por Lidiane Harue Fugimoto

Não é fácil ser mulher e nunca foi. Muito nos é cobrado e, ao mesmo tempo, muito nos é violado. Esse 8 de março representa a luta feminina por direitos, por igualdade de gênero, por espaço, por tratamento digno e essa luta continua todos os dias. Continua porque todo dia é um desafio ser mulher nessa sociedade que brutalmente nos maltrata, impondo-nos padrões inalcançáveis que acabam por descaracterizar a essência individual de cada uma. A luta continua porque centenas estão morrendo aqui, ali e acolá em razão de serem quem são, mulheres, pessoas humanas, com sonhos forçadamente terminados ali. E é por isso que a luta deve continuar, porque não é normal, e nem pode se tornar normal, que a identidade de alguém se torne motivação para atos de violência, tampouco que seja objeto de ódio e razão para tratamento inferiorizado.

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Somos seres naturalmente fortes, e, ainda que muitas vezes frágeis, nunca fracos. Somos e devemos ser ativas, reflexivas com tudo o que acontece ao nosso redor, descontentes e inconformadas com as injustiças, mentes abertas para não cairmos em retrocesso daquilo que já conseguimos e livres para dizer o que pensamos e sermos quem quisermos. Somos mulheres das mais variadas formas e TODAS merecem respeito. TODAS.

Somos protagonistas da nossa história, da nossa luta, porque nós somos guerreiras em todo lugar, na escola, na universidade, no trabalho, nas ruas, na igreja, dentro de casa. Somos defensoras das mulheres, somos defensoras de nós mesmas. Estamos de parabéns todos os dias e hoje saúdo especialmente cada uma pela força que carrega dentro de si.

*Lidiane Harue Fugimoto, 24 anos, é bacharela em Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba e pós graduanda em Direito Previdenciário e Processual Previdenciário pela Faculdade de Direito de Curitiba.

 

Mulheres do MJD: Lívia Alfonsi

por Lívia Alfonsi*

8 de março é o dia internacional das Mulheres. Confesso que quando me chamaram para escrever esse depoimento fiquei muito feliz, mas ao mesmo tempo não sabia o que escrever. Passava-me pela cabeça se eu era digna de tal espaço que por tradição tinha sido dedicado a mulheres de luta do mundo e do Brasil. E então, caí em mim e é disso que vou falar.

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Vou falar de empoderamento feminino. Sabe por quê? Pois essa pergunta que me surgiu: “Será que sou digna/ boa suficiente para isso?”, é uma questão presente em nossas vidas o tempo todo. E essa não é uma questão importante e reflexiva de autoconhecimento, mas uma questão que só vem para nos rebaixar e nos lembrar de que pelo fato de sermos mulheres não seremos capazes de determinadas coisas.

É muito difícil tirarmos da nossa cabeça a ideia de que não podemos lutar, correr, ser engenheira, mecânica ou qualquer outra coisa que não nos é estimulada na infância. E por isso, vira e mexe, nos rebaixamos sem mesmo tentar fazer algo, como eu quase fiz ao pensar que não seria capaz de escrever esse texto.

Mas, então a culpa é da mulher que não consegue se imaginar capaz de fazer algo? Não! Vivemos numa estrutura patriarcal de sociedade que reforça todos os dias o machismo que nos oprime. Para conseguirmos sair disso não é necessária somente a mudança de mentalidade, mas principalmente uma mudança estrutural da sociedade. Onde, de fato, mulheres ganhem o mesmo salário que um homem quando tão qualificadas quanto; onde mulheres possam escolher não ter filhos e não serem taxadas de mulheres incompletas; onde mulheres estejam representadas em todos os setores da sociedade; onde a política seja feita de fato por homens e mulheres; onde mulheres possam viajar sozinhas ou juntas e não serem mortas; onde mulheres vítimas de violência não sejam culpabilizadas por suas roupas.

Mas ai, vem um alguém e diz: “é só uma piada! Calma!”. Não estou calma nem serei calma enquanto o mundo não é calmo comigo e me diz diariamente desde meus 13 anos ao pé do ouvido palavras e olhares violentos.

Gosto de piadas. Aliás, rio muito durante o dia com elas. Mas gosto de piadas inteligentes, piadas que não diminuam os oprimidos mas que pelo contrario, os engrandeçam.

Que esse dia seja usado para repensarmos nossas atitudes frente as mulheres. Mesmo que você saiba que nunca sentirá o mesmo que uma, desafio você a ouvir com respeito sem julgamentos uma mulher, desafio ainda a tentar em meio a uma piada que diminua as mulheres a não rir e ainda explicar aos seus amigo o por que de não estar rindo, desafio você a dar um pouco do seu espaço para dar a voz a elas e não falar por elas.

Abaixo deixo alguns links interessantes de algumas coisas que falei aqui:

Noticia de duas mulheres que viajavam juntas e foram mortas: http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2016/03/a-sina-das-mulheres-que-ousaram-viajar.html

Documentário sobre piadas (ótimo para mostrar como é possível fazer piada inteligente): https://www.youtube.com/watch?v=uVyKY_qgd54

Vídeo sobre feminismo negro (ótimo para entender por que não devemos falar daquilo que não sofremos e como isso não significa fechar os olhos para o outro): https://www.youtube.com/watch?v=uTrLpclk3j4

Blog do Sakamoto #AgoraéqueSaoElas (ótimo exemplo de um homem que cedeu seu espaço para mulheres falarem e não para que ele fale sobre elas): http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2015/11/05/as-mulheres-nao-querem-migalhas-que-caem-da-mesa-querem-um-novo-pao/

Para finalizar gostaria de dizer que para escrever esse texto eu repensei toda a minha vida como mulher e me lembrei que nem sempre fui assim; me lembrei que já fui (e ainda sou para certos aspectos) muito machista e que isso é extremamente natural já que crescemos numa sociedade onde se diz “segure suas cabritas que o meu cabrito está solto” querendo se referir a filhas e filhos. Então, mulheres, não se culpem! Estamos aí para nos ajudar a transcender essa cultura e foi graças a ajuda de muitas que tenho mudado e continuo mudando para viver livre e feliz.

*Lívia Alfonsi tem 24 anos e mora em São Bernardo do Campo (SP). Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC), é mestranda em Ensino em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP).

 

 

800 anos é muita coisa. Temos que comemorar.

por Movimento Juvenil Dominicano do Brasil

Para quem não sabe, esse ano a Ordem dos Pregadores, a grande família da qual o Movimento Juvenil Dominicano (MJD) faz parte, celebra seu Jubileu de 800 anos de existência e atuação no mundo. 800 anos de vida é muita coisa, por isso temos que saber celebrar.

Mas como celebrar um marco tão importante em nossa história? Como homenagear tantas vidas que se encontraram e se transformaram em importantes páginas dentro dessa grande e bonita história da Família Dominicana no mundo? Não há fórmula exata para nos ajudar a responder essa questão – e ainda bem que não há, pois a coisa toda fica bem mais interessante assim – mas a resposta, para nós, mora na própria pergunta: celebrar a partir das histórias em comum, das vidas partilhadas.

O MJD do Brasil vai comemorar 800 anos de história(s) da Ordem dos Pregadores buscando alcançar um grande objetivo: promover encontros entre familiares para nos motivar a continuar lutando por um mundo mais humano, a continuar buscando a construção do Reino de Deus. Espaços de partilha de vida, oração e formação com leigas e leigos, irmãs e frades.

Afinal, o que faremos?

Além de buscar apoiar e participar das atividades já programadas pelos ramos da Família Dominicana do Brasil e do Mundo, promoveremos duas grandes atividades com o apoio da Ordem dos Pregadores: o Encontro Nacional de Jovens Dominicanos, que acontece de 21 a 24 de abril, e a Peregrinação Dominicana de Campos do Jordão (SP) até Aparecida do Norte (SP), que será realizada de 26 a 28 de maio.

Até a próxima semana divulgaremos mais informações sobre essas duas atividades que se aproximam. Para finalizar, aproveitamos a oportunidade para lançar oficialmente o nosso emblema oficial de celebração do Jubileu Dominicano. Não melhor e nem pior do que os outros logotipos e emblemas, apenas mais uma expressão da diversidade de possibilidades de se viver um mesmo carisma em família.

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Logotipo do Jubileu de 800 anos da OP do MJD Brasil

 

Juntos em Família: Missão em Minas Gerais

São Paulo 26 de Janeiro de 2016

Caros irmãos e irmãs da Família Dominicana do Brasil

Neste ano de 2016 estamos celebrando os 800 anos da fundação da Ordem. É o ano do Jubileu dominicano, que coincide com o ano do Jubileu da Misericórdia!  As iniciativas para esta celebração estão se multiplicando no mundo inteiro e também no Brasil. O Jubileu é tempo de fazer memória e sobretudo tempo de renovação para nossa vida e nossa missão como pregadores e pregadoras da Boa Nova. O Capítulo Geral de Troghir (2014) nos lembra que: “Como frades, irmãos e irmãs da Ordem dos Pregadores, somos herdeiros de uma história comum rica e complexa, que nos anima a anunciar o Evangelho mediante a pregação apostólica”(n. 55). Entre outro, o Capítulo recomenda que se promovam iniciativas de celebração e missão realizadas em comum pelos membros dos vários ramos da Família Dominicana e com os jovens. (cf. n. 57/ 8 e 9).

A equipe de promoção do Jubileu no Brasil achou por bem acolher o convite que a Fraternidade Leiga ‘Santa Catarina de Sena’ do Barreiro (Belo Horizonte) está fazendo a todos os membros da Família Dominicana para participarem numa Missão que eles estão organizando para a próxima Semana Santa, de 18 a 27 de Março.

A Missão será na cidade de Machacalís, no Vale do Mucuri, região muito pobre do Norte de Minas Gerais, diocese de Teófilo Otoni, a 636 km de Belo Horizonte. O nome da cidade vem do nome da tribo dos índios Maxacalí, que ainda moram naquela região, lutado pela sua sobrevivência contra as múltiplas agressões da ‘civilização’ dos brancos.

Os irmãos da Fraternidade do Barreiro, na sua carta de convocação, escrevem:  ”Relembrando a nossa caminhada, trilharemos juntos a partilha, a alegria, o encontro e a permanência, com gestos fraternos, em família. E junto às pessoas de cada lugarzinho poderemos ser acolhidos e acolher. Juntos, em família, queremos despertar ainda mais o conhecimento da pessoa de Jesus Cristo no rosto de tantas pessoas que muitas vezes vivem apenas a sua crucificação e, dessa maneira, celebrar a Páscoa da Ressurreição”.

Com certeza esta experiência de “Família Dominicana unida na missão” será uma maneira bem significativa e enriquecedora para celebrarmos o Jubileu da Ordem. Agradecemos os irmãos e irmãs leigos da Fraternidade do Barreiro por este convite e temos certeza de que a resposta da Família Dominicana será generosa.

Em nome da Comissão de promoção do Jubileu,

frei Mariano S. Foralosso OP

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MISSÃO DE SEMANA SANTA DA FAMÍLIA DOMINICANA- 2016

Informações gerais:

Data da Missão:  18 a 27 de Março 2016

Lugar da Missão:  Machacalís, diocese de Teofilo Otoni (Norte de Minas Gerais)

Participantes:  membros da Fraternidade Leiga do Barreiro, membros da Família Dominicana do Brasil (leigos/as, irmãs, frades), mais pessoas interessadas

Número máximo de participantes: 50 pessoas

Acolhida e alimentação em Machacalís: por conta da Comunidade local.

Organização da Missão:  Fraternidade Leiga ‘Santa Catarina’ do Barreiro – BH

Objetivo da Missão: serviço e anuncio missionário

Público alvo:  comunidades urbanas e rurais e lideranças pastorais

Como chegar no lugar da Missão:  com ônibus fretado saindo do Barreiro- BH no dia 18/ 03, às 21h

Endereço de chegada no Barreiro: Centro de Espiritualidade Santa Catarina de Sena, Av. Olinto Meireles, 2636   Barreiro de Cima, BH

Como chegar até a casa das irmãs dominicanas no Barreiro da Rodoviária:  Metro até estação Eldorado; pegar Ônibus 7100 ou 7110 sentido Barreiro descer enfrente ao colégio Francisco Bicalho. A casa das irmãs fica bem perto, no mesmo lado da rua.

Dados de contato no Barreiro: Irmã Solange ou quem atender. Tel. (31) 3383.8055

Cel. 986 77 50 67  | Email de irmã Solange:  curupirasol@yahoo.com.br

Taxa de participação: despesas organização Missão + viagem Barreiro-Machacalís: R$ 200,00

Depósito bancário:     Caixa Econômica;  Conta Poupança  3552 013 16038 – 7;

Titular: Solange de Fátima Damião

Ficha de inscrição: preencher e enviar a irmã Solange no endereço e/ou email indicados, dentro da data de 13 de fevererio de 2016

Mais informações:   Pedir a irmã Solange, por telefone e/ou email.   Serão enviadas comunicações mais pormenorizadas aos que participarão na Missão

 

 

 

Construindo Dignidade: Visita à casa de Lindão

da redação do blog

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Jovens do MJD Brasil e Paraguai visitam a casa de Lindomar

Na última quarta-feira (20/01), jovens do MJD em São Paulo e do MJD Paraguay visitaram a casa de Lindomar e sua família na Comunidade Nossa Senhora Aparecida, mais conhecida como Favela do Boqueirão.

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Lindomar tocando seu teclado

Em 2013, Lindomar participou do projeto ‘Construindo Dignidade’ junto com jovens do MJD. Com o apoio da comunidade, amigos e da Paróquia São Vicente de Paulo, o ‘Lindão’, dona Maria – sua esposa – e seus 3 filhos conquistaram uma casa para morar e um emprego para trabalhar. Hoje, 2 anos depois, soubemos que Lindomar continua trabalhando no mesmo emprego, mas agora fazendo serviços de encanador.

Flávia, Julio e Pedro, os jovens paraguaios, conheceram de perto essa história. Participaram de um momento de oração em família e depois degustaram de um lanchinho regado a um ‘forrózinho bão’, regido por Lindão, o mestre dos teclados.

Uma vida mais digna de se viver. Apesar de ser um direito de todo brasileiro, Lindomar e sua família tiveram que a conquistar – e ainda continuam a conquistando – com muito suor e apoio daqueles que os amam.

Fica o chamado para o MJD Brasil retomar o projeto #ConstruindoDignidade em 2016. A família é grande e pode crescer ainda mais.

Aviso > Ficamos sabendo que Dona Maria está a procura de um emprego. Se alguém souber de algo, por favor envie uma mensagem para nós.

 

Viva Santos Reis!

Hoje é Dia de Reis e da Epifania do Senhor, uma das festas tradicionais mais singelas da Igreja Católica. Mas o que celebramos?

Comemoramos a visita de um grupo de reis magos, guiados por uma estrela do oriente, a Jesus recém-nascido, o filho de Deus que se fez humano como nós.

Para ajudar a compreender e rezar o sentido dessa data em nossas vidas, separamos dois textos que tratam do assunto. Confira, abaixo, o que Santo Agostinho e São Leão Magno têm a nos dizer.

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– Santo Agostinho, doutor da Igreja (séc. V)

Sermão na Epifania do Senhor 200,4

(PL38, 1.030-1.031)

A pedra angular uniu a si judeus e gentios

Agora, pois, amadíssimos, filhos e herdeiros da graça, considerai vossa vocação e, uma vez manifestado Cristo aos judeus e aos gentios, juntai-vos a ele com amor incansável como a pedra angular. De fato, nos inícios de sua infância se manifestou tanto aos que estavam próximos como estavam longe. Aos judeus, na proximidade dos pastores; e aos gentios, na distância dos magos. Aqueles chegaram no mesmo dia em que ele nasceu; estes, segundo se crê, no dia de hoje. Manifestou-se a eles, pois, sem que os primeiros fossem sábios nem os segundos justos, pois na rusticidade dos pastores predomina a ignorância, e nos sacrilégios dos magos, a impiedade.

Aquela pedra angular uniu a si uns e outros, que escolheu o néscio do mundo para confundir aos sábios, e chamar não aos justos, mas aos pecadores, para que ninguém, por maior que seja, ensoberbeça-se e ninguém ainda que seja o menor, perca a esperança. Assim se explica que os escribas e os fariseus, ainda que se tinham por muito sábios e justos, ao mesmo tempo em que, lendo os divinos oráculos mostraram a cidade em que havia de nascer (o menino), ao edificar o rechaçaram. Mas como o menino se tornou pedra de alicerce, o que mostrou ao nascer o cumpriu ao morrer.

Juntemo-nos a ele em companhia de outra parede em que estão os restos de Israel, que por eleição gratuita se salvaram. Eles, que haviam de unir-se proximamente, estão simbolizados naqueles pastores, para que também nós, cuja vocação significava a chegada de longe dos magos, permaneçamos nele não mais como peregrinos e hóspedes, mas como concidadãos dos santos e familiares de Deus, coedificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Cristo a pedra angular. Ele que fez dos dois povos um só, para que no um amemos a unidade e possuamos uma caridade infatigável, para recuperar os galhos que, provindo da oliveira-brava, também foram enxertados; porém,desgalhados pela soberba, converteram-se em hereges. Poderoso é Deus para enxertá-los de novo!

– Dos Sermões de São Leão Magno, papa

(Sermo 3 in Epiphania Domini, 1-3.5: PL 54,240-244)            (Séc. V)

O Senhor deu a conhecer a salvação ao mundo inteiro

Tendo a misericordiosa Providência de Deus decidido vir nos últimos tempos em socorro do mundo perdido, determinou salvar todos os povos em Cristo.

Esses povos formam a incontável descendência outrora prometida ao santo patriarca Abraão; descendência gerada não segundo a carne, mas pela fecundidade da fé, e por isso comparada à multidão das estrelas, para que o pai de todos os povos esperasse uma posteridade celeste e não terrestre.

Entrem, pois, todos os povos, entrem na família dos patriarcas, e recebam os filhos da promessa a benção da descendência de Abraão, à qual renunciaram os filhos segundo a carne. Que todos os povos, representados pelos três Magos, adorem o Criador do universo; e Deus não seja conhecido apenas na Judéia mas no mundo inteiro, a fim de que por toda parte o seu nome seja grande em Israel (Sl 75,2).

Portanto, amados filhos, instruídos nos mistérios da graça divina, celebremos com alegria espiritual o dia das nossas primícias e do primeiro chamado dos povos pagãos à fé, dando graças a Deus misericordioso que, conforme diz o Apóstolo, nos tornou capazes de participar da luz que é a herança dos santos; ele nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no reino de seu amado Filho (Cl 1,12-13). Pois, como anunciou Isaías, o povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu (Is 9,1). E ainda referindo-se a eles, o mesmo profeta diz ao Senhor: Nações que não vos conheciam vos invocarão e povos que vos ignoravam acorrerão a vós(cf. Is 55,5).

Esse dia, Abraão viu e alegrou-se (Jo 8,56) ao saber que seus filhos segundo a fé seriam abençoados na sua descendência, que é Cristo, e ao prever que, por sua fé, seria pai de todos os povos. E deu glória a Deus, plenamente convencido de que Deus tem poder para cumprir o que prometeu (Rm 4,20-21).

Esse dia, também Davi cantou nos salmos, dizendo: As nações que criastes virão adorar, Senhor, e louvar vosso nome (Sl 85,9). E ainda: O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça (Sl 97,2).

Como sabemos, tudo isso se realizou quando os três Magos, chamados de seu longínquo  país, foram conduzidos por uma estrela, para irem conhecer e adorar o Rei do céu e da terra. O serviço prestado por esta estrela nos convida a imitar sua obediência, isto é, servir com todas as forças essa graça que nos chama todos para Cristo.

Animados por esse desejo, amados filhos, deveis empenhar-vos em ser úteis uns aos outros, para que no reino de Deus, aonde se entra graças à integridade da fé e às boas obras, resplandeçais como filhos da luz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos.

Jesus: um Deus refugiado

por Osvaldo Meca*

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Cartão de Natal do artista Banksy: muro de Israel no caminho da Sagrada Família

Fala-se, em algumas tradições teológicas, que Jesus passou por um processo de dupla Kénosis (o ato de esvaziar-se de si): se esvazia de sua realidade divina para assumir uma condição humana (conforme o texto de Fl 2, 6 – 7, Jesus “tinha a condição divina, mas não se apegou a sua igualdade com Deus. Pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens.”); e dentro da condição humana, se encarna em um cenário de inúmeras privações (segundo o texto de 2Co 8, 9, Jesus “embora fosse rico, se tornou pobre por causa de vocês, para com a sua pobreza, enriquecer a vocês.”). Mas, Jesus, que já nasceu pobre, enfrenta o que eu chamo de uma terceira Kénosis: a necessidade de se refugiar.

“Levante-se, pegue o menino e a mãe dele, e fuja para o Egito! Fique lá até que eu avise. Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo. ’ José levantou-se de noite, pegou o menino e a mãe dele, e partiu para o Egito. Aí ficou até a morte de Herodes” (Mt 2, 13 – 15).

A situação de Jesus como referida na sagrada escritura é contemplada pelo conceito de refúgio dos dias atuais: deixar seu país de origem por conta de uma grave e generalizada violação de direitos humanos, ou ser perseguido devido raça, religião, grupo social, orientação sexual etc., a fim de garantir sua vida e integridade física.

Ou seja, um refugiado não se refugia porque opta, mas porque não tem escolha onde está. Assim como Jesus, muitos refugiados que se encontram em grandes centros, campos, e nos perigosos caminhos via terra ou mar (todos se lembram da imagem do menino Aylan que foi encontrado afogado em uma praia da Turquia) para encontrarem uma condição digna de vida, saem de seus países de origem sem nada, ou com muito pouco.

No local que os recebem, nem sempre há uma acolhida fraterna: muitas vezes, por conta da língua, as pessoas refugiadas não encontram um grupo, vivem sós, não trabalham; são alvo também de preconceitos e violência. Em muitos casos, os reveses da região são automaticamente associados à chegada de refugiados, e continuam sendo perseguidos, excluídos, marginalizados. Se fosse hoje, Jesus, Maria e José teriam dificuldade de encontrar um local, pois muros e cercas impediriam a passagem.

Muitos também não têm a mesma graça da Sagrada Família, e no momento de fugir, não conseguem ficar unidos ou se perdem.

Nesse Natal é também tempo de fazer memória desse Menino Jesus que nasce tendo que fugir, esse Deus refugiado. E que possamos nos sensibilizar com as dificuldades de nossos irmãos e irmãs refugiados, que tentam re-encontrar a esperança de uma vida em paz em outras terras; que a nossa única mensagem seja de acolhida, diante de tanta perseguição e guerra que já passaram, e que o Menino não precise mais se refugiar, mas simplesmente nascer.

“Não oprima o refugiado: vocês conhecem a vida do refugiado, porque vocês foram refugiados no Egito” (Ex 23, 9).

*Osvaldo Meca, 27, é integrante do MJD Brasil e mestrando em História.

Feliz Natal!

por Victor Alarcon*

Hoje, 25 de Dezembro, celebramos o nascimento do Salvador do mundo, Jesus Cristo, Filho de Deus. Nasceu em Belém, longe do centro do mundo de sua época, de uma virgem chamada Maria, cumprindo antigas profecias.

Que o Espírito Santo nos permita reconhecer nesse nascimento o tamanho do amor que Deus tem pela humanidade. Amor tão grande que O fez não só vir ao mundo, mas também participar da vida humana. Jesus veio ao mundo em uma família pobre, nasceu na simplicidade e viveu no meio do povo, pregando o amor de Deus, provando que a vida vence a morte.

Hoje celebrar o Natal não é apenas lembrar de uma história que se passou em um tempo distante, mas é fazer com que a história de como Deus se fez carne se repita diariamente. É lembrar que o mundo material foi criado para dar suporte ao ser humano e que a vida humana deve ser sempre prioridade em todos os nossos projetos, pois é assim no projeto de Deus. Que nesse natal o Menino Jesus nasça em nossos corações e em nossas atitudes.

Um santo e feliz natal a todos!

*Victor Alarcon, 27, é promotor de formação do Movimento Juvenil Dominicano do Brasil.

SOS Mariana

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Nossos companheiros e companheiras da Fraternidade Leiga de Governador Valadares (MG) estão se mobilizando para comprar água potável e ajudar os 300 mil habitantes daquela cidade que sofrem com o desabastecimentos, após o crime ambiental causado pela mineradora Samarco (operadora da Vale), em Mariana (MG). Como está sendo noticiado, a lama tóxica que era represada pela mineradora, atingiu o Rio Doce, que corta Governador Valadares e por isso deixou toda a população sem água limpa. Além disso, Ir. Rozilene, coordenadora da Fraternidade Leiga Dominicana, relata que a situação é desesperadora: o mau cheiro do peixes mortos, a falta de água, descaso da mineradora que a pouca água que mandou também estava contaminada.

E também podemos ajudar nessa mobilização para que todas essas famílias tenham acesso a água limpa, um bem tão essencial, pois as pessoas mais pobres, não tem condições de comprar água (que já estão sendo vendidos acima do preço).

➤ Para ajudar, basta depositar qualquer valor na seguinte conta:

Banco: Caixa Econômica Federal
Ag: 0116
C/C: 13.768-8 Operadora: 013
Nome: Ir. Rosa Maria V. C. Antolim