Partilha do Encontro Internacional da Juventude Dominicana: Relatos dos participantes brasileiros

Do dia 16 a 21 de julho de 2016, em Tolouse, na França, foi realizado o Encontro Internacional do Movimento Juvenil Dominicano (MJD), reunindo cerca de 140 jovens dominicanas e dominicanos de 26 países. O Encontro marcou também a participação da juventude na celebração dos 800 anos da Ordem dos Pregadores.

O evento, organizado pela equipe de trabalho da Coordenação Internacional do MJD, conhecida como InternationalDominicanYouthMovement (IDYM), contou com atividades formativas, culturais, de espiritualidade e até mesmo com uma peregrinação que percorreu alguns dos trajetos por onde São Domingos passou – caminho intitulado de Passos de São Domingos. Ao fim da programação foi realizada a assembleia eletiva que definiu, democraticamente, os integrantes da próxima equipe de coordenação do IDYM, que assumirá o posto de trabalho a partir de 2017.

O Brasil foi representado oficialmente pela companheira Lívia Alfonsi, que mora em São Bernardo do Campo (SP) e integra o MJD em São Paulo (SP). Também participaram do evento os brasileiros Leonardo De Laquila, promotor internacional de Missão e Caridade do IDYM, e frei Mariano Foralossso, OP, assessor nacional do MJD no Brasil. Confira, abaixo, relatos destes participantes sobre as experiências vividas na França.

IDYM 2016

Partilhas dos participantes

‘’140 participantes de 26 países. Se o encontro internacional da juventude dominicana fosse expresso por esses números, creio que não seria o suficiente. Julho de 2016, ano comemorativo dos 800 anos da Ordem, resolvemos comemorar em assembleia junto às nossas raízes históricas. Fanjeaux, Pruilla, Montreal, Carcassone e Toulouse; lugares que além transpirar dominicanismo, nos acolheram de uma forma maravilhosa. Particularmente partilho uma experiência particularmente especial. Em pleno Domingo do Senhor estávamos juntos às Monjas de Pruilla.  Fomos convidados pela Priora do monastério, a irmã Jean Baptiste, a cantar o Salve Regina no claustro do convento. Momento mágico no berço da Ordem. Fiquei imaginando quantas histórias foram escritas naquele pedaço de terra, oito séculos de orações incessantes. Agora éramos nós participando dessa história. Quando entramos no claustro, um grande silêncio tomou conta dos nossos corações. Olhares apreensivos que foram rapidamente afetados pelo Hino das comemorações do jubileu dominicano. Laudare, Benedicere, Praedicare… a música tomou conta do grupo e marcou o ritmo dos nossos passos. Entramos no claustro formando duas filas e nos encaminhamos para o pátio do convento para dentro do mistério e em frente aos olhos de uma belíssima imagem de N. Senhora. Silêncio, ela olhava para nós e nós para ela. Salve Regina Dominicana, a oração cantada que mais me encanta sendo entoada em uma grande monofonia. Uma massa de vozes de culturas tão distintas afinada em unidade. Deus é bom e adora nos envolver em sua beleza!’’

 Leonardo De Laquila, 35 anos // Promotor Internacional de Missão e Caridade do IDYM

‘’Essa foi minha primeira experiência no Encontro Internacional. E foi uma experiência intensa. Intensa de trabalho, intensa de oração e partilha. Poder viver tão próximo durante uma semana de pessoas de culturas e línguas diferentes e saber que temos um mesmo ideal, é fascinante.

 O que mais me marcou foi visitar o Monastério de Pouille. As monjas, as mulheres que São Domingos pensou primeiro. Mulheres fortes e inteligentes. Me inspiraram durante o Encontro e seguem me inspirando.’’

Lívia Essi Alfonsi, 25 anos // Coordenadora e integrante do MJD em São Paulo (SP)

 

 

 

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Semana Dominicana: Testemunho de vida e diálogo

Por ocasião do dia de São Domingos e do Jubileu de 800 anos da Ordem dos Pregadores trazemos aqui o segundo texto da série #SemanaDominicana, que nos apresenta uma sequência de reflexões sobre temas importantes da espiritualidade dominicana. Hoje vamos conhecer um pouco sobre como São Domingos se relacionava com os hereges e o que ele fazia para combater a ”heresia”.

Esses textos trazem parte das fontes dominicanas e foram produzidos pelo promotor de missão e caridade do IDYM, Leonardo De Laquila, e pelo Frei Mariano Foralosso, assessor do MJD-BR, por ocasião do encontro internacional do YDIM. Jovens dominicanos do mundo todo tiveram a oportunidade de rezar esses temas enquanto peregrinavam pelos caminhos por onde Domingos passou oitocentos anos atrás.

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Testemunho de vida e diálogo

A vida de São Domingos, sua missão de pregador e a própria fundação da Ordem foram profundamente marcadas pelo ‘encontro’ com o desafio e os apelos do Catarismo. Para contrapor as doutrinas erradas desta heresia, Domingos se entregou totalmente à pregação itinerante. Para dar resposta adequada aos questionamentos doutrinais e morais dos hereges, ele colocou o estudo como um dos pilares fundamentais da vida dominicana. Para convencer e levar os hereges à conversão pelo exemplo de vida, pela força da palavra e pelo diálogo, mais do que pela violência e a coerção, Domingos se converteu ao seguimento radical de Cristo, tornando-se “um homem plenamente evangélico que em tudo seguiu os passo do seu Senhor.” Neste sentido ele representa para nós um exemplo do respeito das ideias e da consciência dos outros e do diálogo religioso.

Frei Domingos mostrava-se afável para com todos, ricos e pobres, judeus e gentios. Era amado por todos, exceto pelos hereges e inimigos da Igreja, que ele questionava, procurando convencê-los com suas pregações e disputas. Ele ouviu dizer e também viu pessoalmente que sempre os tratava com caridade, os exortava e os induzia a fazerem penitência e a se converterem à verdadeira fé. (Fonte, B. Jordão, Libellus, n. 27)

Foi promovida, em certa ocasião, uma controvérsia geral contra os hereges, à qual o bispo local queria assistir com o cortejo faustoso e grande magnificência. Mas o bem-aventurado Domingos lhe disse: Assim não, pai, não é assim que devemos sair contra eles. Os hereges hão de se convencer mais com a humildade e outros exemplos de virtude do que com aparências exteriores e argumentos de palavras. Armemo-nos, pois, com fervorosas orações e, dando mostras de verdadeira humildade, saiamos com os pés descalços a lutar contra Golias.

O bispo acreditou no homem de Deus e, deixando as ricas cavalgaduras, saíram descalços. O local marcado para o debate estava bastante longe. Depois de terem andado muito começaram a duvidar se fosse aquele o caminho certo, e para se assegurarem perguntaram a um homem que julgaram católico, mas que na realidade era herege. Sim, senhores – disse ele – ensinar-vos-ei com bom gosto o caminho e com prazer vos acompanharei até o local. E ele, maliciosamente, conduziu-os por certo atalho cheio de espinhos e ramos cortantes que lhe cobriam os pés e as pernas de sangue. O homem de Deus, sofrendo tudo isso com paciência e louvando o Senhor, exortava a todos a glorificar a Deus, dizendo: Caríssimos, confiai no Senhor que a vitória será nossa, pois os nossos pecados foram purgados com sangue. Aquele herege, dando-se conta da sua admirável e risonha paciência e comovido com aquelas palavras, confessou a sua perversa intenção e abjurou a heresia. Ao chegarem ao local tudo correu favoravelmente para eles. (Fonte: Vitae Fratrum, parte II, cap. 2)

Reconhecendo a glória de Deus em nossas vidas.

  • Quais coisas Deus nos permitiu construir para o seu Reino?
  • Quais são as atividades que desenvolvemos enquanto MJD ou jovem cristão ? E que mais gosto de realizar?

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Ficha técnicaTextos: Frei Mariano Foralosso, op, e Leonardo De Laquila | Imagem: Bruno Alface | Ilustração: Leonardo De Laquila | Organização: Victor Alarcon, Mariana Bongiorno e Bruno Alface

Semana Dominicana: Oração e vida contemplativa de São Domingos

Por ocasião do dia de São Domingos e do Jubileu de 800 anos da Ordem dos Pregadores trazemos aqui o segundo texto da série #SemanaDominicana, que nos apresenta uma sequência de reflexões sobre temas importantes da espiritualidade dominicana. Hoje, vamos conhecer um pouco sobre como São Domingos rezava e como sua oração se relacionava com sua ação.

Os textos dessa série trazem citações das fontes dominicanas e foram produzidos pelo promotor de missão e caridade do IDYM, Leonardo De Laquila, e pelo Frei Mariano Foralosso, assessor do MJD-BR, por ocasião do encontro internacional do YDIM. Jovens dominicanos do mundo todo tiveram a oportunidade de rezar esses temas enquanto peregrinavam pelos caminhos por onde Domingos passou oitocentos anos atrás.

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Oração e vida contemplativa de São Domingos

São Domingos teve uma existência muito ativa, de muitas viagens e muitos contatos com as pessoas, de incansáveis andanças apostólicas pelas regiões do sul da França e pela Europa toda. O ‘carisma’, o projeto de vida que ele vivenciou e transmitiu aos seus seguidores é essencialmente apostólico: tudo em função da missão, tudo para a pregação! Mas ao mesmo tempo ele foi um grande contemplativo, homem de oração e de comunhão profunda com Deus. Santo Tomás de Aquino sintetiza o projeto de vida de São Domingos e dos membros da Família Dominicana no binômio ‘contemplação e ação’: contemplação na ação e para a ação. As testemunhas das fontes dominicana, de maneira especial daqueles que conheceram e conviveram com Domingos, são unânimes em relatar isso.

Com muita frequência costumava pernoitar nas igrejas, tanto que nunca ou raramente parecia ter tido um leito para repousar. Rezava assim durante a noite e perseverava vigiando, na medida em que conseguia exigir da fraqueza do corpo. E quando, afinal, acumulando-se o cansaço e afrouxando o espírito, a necessidade de sono gritava mais alto, encostando a cabeça no altar ou em outro lugar qualquer, ou sobre uma pedra, como o patriarca Jacó (Gen. 28,11), descansava um pouquinho e logo recuperava a força do espírito e o fervor da oração.
(Fonte: B. Jordão, Libellus, n. 106)

Depois de olhar para a relação que São Domingos tinha com Deus, você agora é convidado a observar a sua vida e a refletir sobre sua relação com Deus e com o próximo.

  • Quais são os pontos frágeis na sua relação com Deus? Como fortalecer essa relação?
  • Quais são seus pontos frágeis na sua relação com as pessoas próximas?
  • Como a sua relação com Deus afeta sua relação com as pessoas?

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Ficha técnicaTextos: Frei Mariano Foralosso, op, e Leonardo De Laquila | Imagem: Bruno Alface | Ilustração: Leonardo De Laquila | Organização: Victor Alarcon, Mariana Bongiorno e Bruno Alface

Semana Dominicana: Itinerância apostólica

Hoje, 8 de agosto de 2016, celebramos o dia de São Domingos no ano do Jubileu de 800 anos da Ordem dos Pregadores. Para celebrar esse momento único, iniciamos hoje uma série de publicações que vão nos guiar através de uma sequência de reflexões sobre temas importantes na vida de São Domingos e na espiritualidade dominicana. Hoje, vamos conhecer um pouco sobre a itinerância de São Domingos e depois refletir sobre como está nossa relação com Deus.

Os textos da série trazem parte das fontes dominicanas e foram produzidos pelo promotor de missão e caridade do Movimento Juvenil Dominicano Internacional, Leonardo De Laquila, e pelo Frei Mariano Foralosso, op, assessor do MJD-BR, por ocasião do encontro internacional do MJD. Jovens dominicanos de todo o mundo tiveram a oportunidade de rezar esses temas enquanto peregrinavam pelos caminhos por onde Domingos passou, oitocentos anos atrás.

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Itinerância apostólica de Domingos

São Domingos foi um incansável caminhador. A partir da primeira viagem para a Dinamarca, sua vida apostólica foi um contínuo andar nas regiões do sul da França e na Europa toda. Naquela época não existiam carros, nem trens ou aviões. Os ricos viajavam de cavalo e carroça. Os pobres andavam a pé. Também Domingos andava sempre a pé. Muitas vezes caminhava descalço, para praticar e testemunhar a pobreza evangélica. O estilo humilde e despojado com que se apresentava nos povoados e nas cidades, já era uma pregação. Vivia pedindo esmola e se hospedava onde encontrasse acolhida. Esse estilo itinerante lhe permitia encontrar as pessoas mais de perto, dialogar com elas, partilhar suas dores e suas alegrias, pregar-lhes a Palavra de Deus nas casas, nas igrejas e nas praças. Como Cristo, podia assim se fazer próximo e solidário com os irmãos que encontrava no seu caminho. As longas andanças pelos caminhos, no meio da natureza lhe proporcionavam também tempos longos de silêncio, de oração, de união com Deus. Os relatos das Fontes dominicanas são muito ricos de informações sobre São Domingos ‘andarilho’ do Evangelho.

Era este seu entretenimento quando viajava: ocupar todo o tempo em orações e meditações, exceto quando rezava o Ofício divino ou conversava de alguma coisa útil com os seus companheiros, o que costumava fazer sempre, e exortava os seus companheiros a fazerem o mesmo. Caminhava frequentemente separado dos frades. E nas viagens cantava frequentemente o hino Iesus, nostra redemptio (Jesus nossa redenção), ou a antífona Salve Regina . Tendo a sua alma sempre absorta em meditações e o seu coração inundado em mares de doçura, enganava-se muitas vezes no caminho e perdia de vista os frades. No entanto, nunca ninguém o viu perturbado por ter perdido o caminho, nem culpava disso os seus companheiros. Pelo contrário, vendo-os perturbados por andarem ansiosamente à sua procura, confortava-os dizendo: Não vos preocupeis, por todas as partes pode-se chegar ao céu! (Fonte: Vitae Fratrum, parte II, cap. VII)

Depois de olhar para a forma como São Domingos via alguns elementos do mundo, você é convidado a refletir um pouco sobre o seu compromisso com a missão que Deus te dá.

  • Como está minha relação com Deus?
  • Minha relação com Ele reflete em uma melhor relação com o próximo?
  • Como está o meu apostolado?

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Ficha técnicaTextos: Frei Mariano Foralosso, op, e Leonardo De Laquila | Imagem: Bruno Alface | Ilustração: Leonardo De Laquila | Organização: Victor Alarcon, Mariana Bongiorno e Bruno Alface