Juventude camponesa do Tocantins se reúne para trocar experiências e enfrentar desafios

noticias do pe do morro-02

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) realizou, entre os dias 18 e 19, o I Encontro da Juventude Camponesa, em Araguaína (TO). Jovens entre 12 e 28 anos, de oito comunidades rurais, entre acampamentos, assentamentos e ocupação, trocaram experiências sobre a realidade em que vivem e o desafio da permanência na terra.

Na quinta-feira (17), o dia foi de acolhida de todos os participantes, que chegavam de diferentes munícipios da região Norte do Tocantins. Ainda tímidos e calados, os jovens foram levados para a chácara da CPT, local escolhido para o evento. À noite, com todos reunidos, eles se apresentaram e começaram a interagir entre si.

Pintando os sonhos: jovens usam a criatividade para expor seus sonhos e desejos para uma comunidade solidária e igualitária

Pintando os sonhos: jovens usam a criatividade para expor seus sonhos e desejos para uma comunidade solidária e igualitária

As atividades iniciaram na manhã de sexta-feira (19), após uma mística de abertura dos trabalhos. Convidado para assessorar o dia de oficinas, o professor da rede estadual, Dório Macedo, realizou uma dinâmica com o intuito de rememorar a identidade de cada jovem. Na sequência, meninos e meninas se dividiram em grupos e desenharam como é a comunidade onde vivem: destacaram os problemas, as diversões e o que gostariam de melhorar.

De forma unânime, seja em acampamento, ocupação ou assentamento, os jovens pontuaram a falta de políticas públicas que capacitem e permitam que os mais novos tenham a possibilidade de sobreviver do trabalho no campo. Outros problemas apontados, por exemplo, foram a ausência de energia elétrica, de boas estradas e uma educação de qualidade dentro das próprias comunidades.

Para tornar as atividades mais leves, foram realizadas rodas de conversa com a participação dos agentes da CPT, Pedro Ribeiro e Silvano Rezende, da professora da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Renata Rauta Petarly, e da representante da Pastoral da Juventude Rural (PJR), Viviane Barros.

Jovens se reúnem para foto durante a noite cultural na chácara da CPT

Jovens se reúnem para foto durante a noite cultural na chácara da CPT

E dessa forma o encontro foi sendo construído – seja por meio de dinâmicas em grupo ou troca de ideias -, com a finalidade de despertar nos jovens a sensibilidade para os problemas que eles enfrentam onde moram e o que eles mesmos podem fazer para modificar o cenário atual.

Comunicação

Durante os dias de encontro, os jovens foram convidados a criar uma equipe de comunicação. Oito participantes se disponibilizaram a compor este grupo, que ficaria responsável por registrar os dias de encontro, sob o olhar particular de cada um.

O formato escolhido foi por meio de um vídeo. À disposição deles, estava apenas uma câmera para filmar. Após uma reunião, a equipe se dividiu em quatro duplas, entre repórteres, cinegrafistas e fotógrafos, e entrevistou os colegas que participaram do evento. Para dar um toque especial, um pequeno pedaço de galho foi utilizado como microfone em todas as entrevistas.

As fotos que ilustram este texto foram tiradas pelos próprios jovens. O vídeo acima, produzido de forma espontânea e bastante divertida, é o resultado da curiosidade e disposição que eles tiveram para vivenciar uma nova experiência. Esse momento de “brincar” de jornalismo proporcionou à garotada uma maior interação entre eles, e permitiu que alguns deles pudessem ter contato com um jeito de se comunicar que ainda não haviam tido contato.

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CPT realiza Encontro de Juventude Camponesa em Araguaína (TO)

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Cerca de 45 jovens de comunidades rurais acompanhadas pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Araguaína (TO) participam, entre os dias 18 e 19 de julho, do 1º Encontro de Juventude Camponesa: Luta e Resistência do Jovem na Terra.

O encontro tem como proposta identificar as perspectivas, sonhos e dificuldades dos jovens que vivem em assentamentos, acampamentos e ocupações. O espaço de formação reunirá meninas e meninos de diferentes regiões do estado, a fim de trocar experiências sobre a realidade que cada um enfrenta.

Durante os dias de encontro, a juventude participará de diversos momentos que provocarão a discussão sobre o valor de trabalhar e viver da terra e os desafios da permanência no meio rural.

Faixa de acolhida é estendida na entrada da chácara da CPT em Araguaína (TO), onde será realizado o encontro.

Faixa de acolhida é estendida na entrada da chácara da CPT em Araguaína (TO), onde será realizado o encontro.

As dinâmicas envolverão, por exemplo, pintura de mural mostrando a realidade em que vivem e produção de um vídeo dirigido pelos próprios jovens relatando suas impressões sobre o encontro.

As rodas de conversa terão a participação de agentes da CPT Araguaia-Tocantins, professores da rede estadual e da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e representante da Pastoral da Juventude Rural.

“Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”

por Giovanna Araújo, promotora de missão e caridade do MJD Brasil

Diariamente somos designados a praticar diversos tipos de missão, tendo como as mais corriqueiras trabalhar e estudar. No entanto quando nos tratamos de missionar com o outro e para o outro o amor deve ser dobrado porque neste caso, não muito diferente dos demais, enquanto resistimos e tentamos explicar para Deus quão somos pequenos para cumprir seu mandado, ele vai repetindo em nossos ouvidos “Não diga ‘sou jovem’, porque você irá para aqueles a quem eu o mandar e anunciará aquilo que eu lhe ordenar. Não tenha medo deles, pois eu estou com você para protegê-lo oráculo de Javé.” (Jr 1, 7 – 8).

Amamos o outro quando experimentamos o amor de Deus, e como isso acontece? Obviamente que não há receitas prontas pra esse tipo de experiência, mas o primeiro passo dela é se perguntar: “O que Deus quer de mim?”, as respostas dessa pergunta exige um olhar sensível, pois elas acabam vindo em momentos que você não espera, as vezes em uma conversa com um amigo, no caminho de volta pra casa, entre várias outras situações. O segundo passo é saber conviver com o outro, pois é a partir dai que você começa sentir e experimentar Deus de fato.

Ressalto também a importância de deixar se comover pela situação ou momento que se vive, pois diferente de pensar, a comoção nos leva a uma intimidade singular com Deus, enquanto que o pensamento é apenas uma suposição da experiência. Por isso é importante se despojar e viver concretamente o que lhe for proposto.

Assim como Cristo foi enviado pelo Pai com um proposito, nós não somos diferentes. Sabe aquela sensação de que estou vivendo aquilo que Deus quer? Espero que todos sintam isso, não só durante essa semana de missão, mas diariamente, mesmo porque somos convidados todos os dias a viver o proposito de Cristo, basta o nosso sim. É incrível notar a simbiose de Paulo com Jesus Cristo nessa passagem: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2,20). No seu ardor e zelo Paulo não se importa se é reconhecido e recompensado pelo trabalho. Cumprir a missão recebida é um compromisso que ultrapassa todas as formalidades legais de reconhecimento, de remuneração e de direito.

A ansiedade e vontade de viver a experiência do Espaço Missionário é muito grande, mas o desejo do meu coração, é que saibamos compreender o Cristo no outro em todos os lugares, todos os dias do ano. O ideal é que “missão” não seja algo extraordinário, mas algo que esteja presente em nós o tempo todo. Grande abraço a cada um de vocês meus amigos!

#BeatoPierGiorgioFrassati

Via MJD Espanha

frassati

Os santos podem por vezes parecer coisa de séculos passados​​, desde a Idade Média, ou momentos em que a fé cristã era generalizada; às vezes parece que coisa de pessoas maiores, adultos e idosos, com uma vida inteira de sabedoria e anos anteriores…

Bem o santo dominicano hoje falar rompe completamente com essa idéia.

Pier Giorgio Frasati não é apenas um santo do século XX, mas também é um santo “jovem”, que morreu com apenas 24 anos de idade.

Nascido em Turim, em 1901, de uma família rica, ele recebeu uma educação severa e rígida, não muito religiosa, mas nem contrária à fé.

Pier Giorgio não era muito bom aluno e estave em vários colégios até que é posto com um preceptor Salesiano. Isso não só ajuda ele em termos acadêmicos, mas também se abre para uma experiência mais profunda fé.

Amante da montanha, se abre a uma profunda vida de oração e apostolado de missão, juntando-se a várias iniciativas eclesiais de sua diocese até chegar a Universidade Dominicana, se fazendo leigo dominicano em maio de 1923.

Solidário e generoso, contrai poliomielite após uma visita a uma família que vive em situação de pobreza na cidade, morrendo em apenas uma semana após os primeiros sintomas da infecção, a 04 de julho de 1925.

Beato da Igreja Católica, Frassati foi um dos patronos da última Jornada Mundial da Juventude e é um modelo – como todos os santos -, do que significa viver a fé.

Como um jovem dominicano Pior Giorgio Frassati era um jovem do seu tempo, preocupado com os pobres e indefesos, para levar o evangelho de Jesus Cristo para o mundo, para viver na verdade e de verdade. Com os amigos, diante de profunda alegria e vitalidade, descobriram que, com Deus, a vida é muito melhor.

Ser missionário

por frei Rui, promotor internacional da Ordem dos Pregadores para o laicato

O espaço missionário, que acontecerá de 07 até 14 de Julho em Conceição do Araguaia (PA) se aproxima e para iluminar a cabeça daqueles que vão e também do MJD em geral trazemos um texto do Fr. Rui Almeida Lopes,op, promotor geral da ordem para o laicato. Ele comenta o evangelho segundo São João, que está ao fim do texto, ou pode ser lido clicando aqui.

“Ao falar de missão, do que é ser missionário permitam-me que comente convosco este texto do Evangelho de S. João que nos dá o sentido da forma como recebemos a missão e como a devemos realizar.
O texto que lemos situa-se no contexto da longa oração de Jesus após a última ceia onde parece que Ele revela os segredos o seu coração. Aqui como talvez em nenhum outro lugar o Senhor Jesus nos diz que servi-Lo radica no amá-Lo, como acontece com Pedro a quem o ministério é confiado a partir da sua tríplice confissão de amor. Ser missionário e amar parece que neste texto dão as mãos num ligação profunda. Mas tentemos ver alguns dos seus elementos.
– “assim como o Pai me amou também eu vos amo a vós” percebemos que o nosso ser e agir em Cristo é uma participação do amor existente no seio do Deus Trindade, a força motora da missão não é outra senão a do próprio amor que existe em Deus que é amor, que nos envolve e nos envia. O cuidado no serviço, não é senão participação desse movimento amoroso com que o Pai envia o Filho ao mundo e com que Pai e o Filho enviam o Espírito para consumar esta obra de salvação. Perceber isto, e sobretudo abrir-se a este dom é qualquer coisa de admirável, sou chamado a amar e a servir, a ser missionário com a força de amor que existe no coração de Deus. A palavra grega que traduz este sucessivo envio das pessoas da Trindade tem o nome de processão, parece que somos associados ao movimento de amor que se gera a partir de Deus e que nos agita por dentro.
– “Permanecei em mim” e”guardai os meus mandamentos”. O segredo do serviço evangélico é a união de amor com o Senhor. Permanecer é uma força que demonstra um espaço temporal longo. Não permanecemos quando vamos de visita ainda que ela possa demorar alguns dias, só permanecemos quando vivemos no coração de Deus e aí estabelecemos a nossa casa. Cada um de nos se pode perguntar como permanecer em Deus. Santa Catarina convidava-nos a permanecer no santo amor de Deus e aí encontramos um convite que não poder ser recusado ou adiado. Certamente isto significa procurar viver uma profunda união de amor em toda a nossa vida comentada numa vida de profunda oração e alimentada nos sacramentos. A dimensão contemplativa da nossa vocação fala-nos disto. A imagem que antes desta passagem é proposta contém uma rara beleza trata- se da alegoria da videira e dos seus ramos, unidos de tal maneira que a seiva que percorre o tronco percorre também os frágeis cachos
– A missão leva-nos a entrar na escolha amorosa de que fomos objeto. ‘Não fostes vós que me escolhestes fui eu que vos escolhi’ esta frase faz-nos entrar no âmago da vocação no contexto do Evangelho, esta é sempre fruto de uma iniciativa de Deus pelos meus méritos mas porque Deus me ama com um amor imenso. Muitas das dúvidas e incertezas que temos sobre a capacidade de realizarmos determinado serviço desapareceriam se estivéssemos mais convictos de que fomos objeto de uma escolha, antes de que lhe pudéssemos responder ou balbuciar uma tentativa de resposta. Isto é qualquer coisa de muito belo, antes que nós balbuciássemos um Sim já Deus nos tinha escolhido; senão percebermos que, de fato, fomos escolhidos nunca poderemos perceber o alcance da missão ou desfocamo-la como coisa que está dependente de nós, e quantas vezes olhamos para o serviço missionário como se, de facto, ele estivesse apenas dependente de nós.
– Mas a frase mais importante que gostaria de sublinhar é esta: ‘ já não vos chamou servos, mas amigos porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai’. Esta frase configura uma nova forma de servir. Sirvo como amigo, não como servo. Na percepção do amor de amizade há uma tendência de nivelar, de colocar no mesmo patamar. O amor que nos liga aos Pais ou ao Superior manifesta sempre uma desigualdade entre as duas partes, pais e filhos, superiores e súditos podem estar ligados pelo amor mas permanecem em degraus diferentes, não é assim com o amor de amizade, o próprio é igualar as duas partes, é uma relação totalmente gratuita de ambas as partes e, por isso cria uma aproximação e um envolvimento que aproxima. Entre amigos há lugar à confidência que muitas vezes não se pode ter com outro tipo de relações fundada igualmente no amor mas que mantêm igualmente desigualdade entre as partes, por nessa relação existe, também o culto da autoridade. Ao dizer que somos amigos quer dizer que Jesus nos amou pondo-se ao nosso lado e não em nenhum degrau superior, podemos olhá-lo no mesmo comprimento de olhar sem ter que com temor olhar para cima. Confidenciou-nos muito de si mesmo, como um amigo confidencia com o seu amigo, fez- nos entrar no segredo do seu coração e do seu projeto amoroso. Isto faz toda a diferença na missão que nasce da confiança , que nasce do amor. Quando há esta relação de amizade tornamo-nos participantes corresponsáveis do seu projeto de amor e não meros executores, uma coisa continua a ser necessária é que mantenhamos esse vínculo de amor a que o Senhor chama de amizade. Pergunto- me se nos entendemos quando servimos o Reino como amigos, perceberemos que o que fazemos nos foi confidenciado com amor, não tento como uma ordem que temos de cumprir mas como um murmúrio suave que passa de coração a coração e não como uma ordem de operações que devemos seguir como ordem recebida do alto que não exige a liberdade e o amor do cunho pessoal que nele devemos colocar. Perceber a missão a partir da amizade é um dom que nos torna muitos diferentes na forma como o realizamos. Isto faz toda a diferença servimos não num escalão inferior mas ao lado que a amizade que Ele manifesta por mim aí me colocou.
– Mas a outra face do serviço nesta linha é aprendermos a servir com a mesma medida com que o Senhor serviu: ‘amai- vos uns aos outros como Eu vos amei’ e ‘ ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos’. Servir a partir do amor significa usar esta medida que não é medida porque significa dar tudo, dar a vida significa gastar-se, servir até ao último suspiro, não temer a morte como doação final, não arranjar subterfúgios para não se entregar. Não por estoicismo, não por radicalismo, mas por amor simplesmente. Servir significa dar-se totalmente, se preciso for dar a própria vida porque o amor naturalmente para isso nos arrasta. Mas tudo isto é possível não pelas nossas forças mas porque nos sentimos verdadeiramente amados.
Penso que ser missionário bebe nesta raiz de amor-escolha e transporta esta mensagem de amor e de beleza.”

Jo 15, 9-17
“Assim como meu Pai me amou, eu também amei vocês: permaneçam no meu amor. Se vocês obedecem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como eu obedeci aos mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. Eu disse isso a vocês para que minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa.
O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês. Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos. Vocês são meus amigos, se fizerem o que eu estou mandando. Eu já não chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que seu patrão faz; eu chamo vocês de amigos, porque eu comuniquei a vocês tudo o que ouvi de meu Pai. Não foram vocês que me escolheram, mas fui eu que escolhi vocês. Eu os destinei para ir e dar fruto, e para que o fruto de vocês permaneça. O Pai dará a vocês qualquer coisa que vocês pedirem em meu nome. O que eu mando é isto: amem-se uns aos outros.”

Dominicanos e Jovens Dominicanos missionários em Conceição do Araguaia

por frei Mariano Foralosso, assessor nacional do MJD Brasil

Nosso assessor nacional e parceiro de missão, Fr. Mariano, nos traz uma mensagem onde fala um pouco da relação entre a missão dominicana e a origem da cidade que nos acolherá durante a missão, Conceição do Araguaia.

“Caros jovens do MJD, de 07 até 14 de Julho um belo grupo de vocês realizará uma Missão em Conceição do Araguaia (PA). Eu também estarei presente. Será com certeza uma grande e bela experiência!  Durante a nossa estadia em Conceição teremos oportunidade de conhecer melhor a história da cidade e da atuação missionária dos Dominicanos franceses (frades e irmãs),  que foi fundamental para o surgimento da Igreja e o desenvolvimento social em toda a região de Goiás, Tocantins e Sul do Pará. Por agora, envio a vocês algumas notícias essenciais,  para melhor entender o contexto histórico e o sentido na nossa missão.

A Ordem dominicana, antiga de oito séculos, veio ao Brasil somente no final de 1800. A primeira fundação foi em Uberaba (MG) a partir de 1881, por iniciativa dos dominicanos franceses.  Logo em seguida vieram também as irmãs dominicanas de Monteils, também elas francesas.  O objetivo primeiro da Missão era a evangelização dos Índios que viviam nas matas e ao longo dos rios do interior quase desconhecido, nas regiões que atualmente correspondem a Goiás, Tocantins e sul do Pará.  Uberaba foi um primeiro ponto de apoio, em vista desta missão junto aos índios ‘pagãos’.  Sempre com o objetivo da evangelização dos índios, em 1883 foi fundada a casa de Goiás Velho (antiga capital do Estado de Goiás).

A partir deste centro, os missionários franceses foram entrando no sertão desconhecido, estabelecendo contatos e laços amizade com os Índios, e dando assistência religiosa ao povo cristão que vivia espalhado na região.    Eram longas caminhadas numa terra quase totalmente inexplorada, e também navegações de barco ao longo dos rios imensos que cortam esta região, sobretudo o Tocantins e o Araguaia. Foram se multiplicando as fundações missionárias, desde Goiás Velho até Porto Nacional (1886) e Marabá. Muitos destes pontos missionários foram a primeira semente daquelas que agora são cidades e também dioceses dos três Estados.  O trabalho de nossos missionários tinha duas pistas operativas: a evangelização dos Índios e a assistência religiosa ao povo que vivia espalhado e totalmente abandonado na imensa região.  Todo ano se organizavam expedições chamadas ‘desobrigas’ para levar aos sertanejos a Palavra de Deus e os Sacramentos, e para encontrar e evangelizar os Índios. Os frades e as irmãs, vindos de um país totalmente diferente, escreveram páginas de verdadeiro heroísmo missionário. Vários deles morreram por causa de doenças tropicais e do clima.

Para garantir um contato mais eficaz com as tribos de Índios que viviam ao logo do rio Araguaia foram estabelecidos pontos de apoio e de acolhida estáveis.  Aqui os Índios eram acolhidos e evangelizados.  Este foi o caso de Conceição do Araguaia. Em 1896 o missionário frei Gil de Vilanova foi procurando, ao longo do rio Araguaia, um lugar que fosse mais alto, para evitar o problema das enchentes do rio. Ele encontrou este lugar na margem esquerda do rio e aqui fundou uma ‘Catequese’ para os Índios que, em honra de Nossa Senhora, chamou de ‘Conceição do Araguaia’.  Este foi o começo da cidade de Conceição, onde o MJD fará a sua experiência missionária. Aos poucos os missionários acolheram de forma mais estável, numa espécie de internato, meninos e meninas filhos dos Índios, que os pais confiavam aos cuidados dos frades e irmãs, para que os educassem na fé cristã e na civilização dos brancos.

Assim tudo o que encontraremos em Conceição teve sua origem na ação dos nossos missionários e missionárias,  filhos de São Domingos. O centro de Catequese se tornou um polo de referência também para os sertanejos que moravam na região. Muitas famílias se transferiram para Conceição e assim foi crescendo um novo centro urbano. Um frade arquiteto construiu a bela catedral, trazendo as pedras de muito longe. As irmãs construíram o colégio onde foram educadas as novas gerações da cidade. Aqui funcionou a primeira estação de  Rádio. Nos anos ’40 frei Pedro Secondí, com a ajuda de toda a população, construiu a pista para o pouso dos aviões da FAB.  Os frades dominicanos trabalharam em Conceição até o começo dos anos ’80.  As irmãs continuam presentes e nos acompanharão na nossa missão.

Esta missão do MJD será um evento muito significativo para Conceição, e também para os próprios jovens. É a nova geração dominicana que renova a presença e a ação missionária de São Domingos nestas terras regadas pelo suor e o sacrifício fecundo de tantos dos seus filhos: frades, irmãs, leigos e leigas dominicanos.  Tenho certeza que a nossa passagem em Conceição será uma daquelas experiências que a gente nunca vai esquecer! Vamos lá com coração de irmãos e de aprendizes. De fato este povo tão acolhedor e tão rico de sabedoria,  tem muita coisa para nos ensinar! Com certeza cada um de nós, voltando para sua casa, poderá constatar o quanto aprendeu!

Que São Domingos e todos os missionários e missionárias que nos precederam em Conceição nos abençoem.

Até breve!”

Vai ter Missão do MJD Brasil em 2014

por Bruno Santiago Alface, coordenador nacional do MJD Brasil

Nosso Araguaia querido,
Praia dos homens-canoas,
Divisa do Cativeiro,
Giro da Bandeira Verde,
Porteira do Latifúndio,
Banzeiro da Indignação,
Guerrilha de Ventanias,
Mar Vermelho da Esperança,
Nosso Araguaia querido! 
(‘’Araguaia’’ – Dom Pedro Casaldáliga)

É, camaradas, vai ter Missão do Movimento Juvenil Dominicano do Brasil (MJD-BR) em 2014. E das boas.

É com o coração cheio de esperança e ansiedade que comunico a realização do ‘’Espaço Missionário Dom Tomás Balduíno’’,que começa no próximo dia 07 de julho e segue até o dia 14. As atividades acontecerão na cidade de Conceição do Araguaia, no Pará – isso explica o poema de Pedro, que é belíssimo, por sinal.

O Espaço será realizado conjuntamente pelo MJD-BR e pela comunidade de Conceição do Araguaia que, há alguns meses, planejam uma semana recheada de atividades para os missionários participantes. Também contaremos com a colaboração dos companheiros Rafael Oliveira e Evandro Rodrigues, que representarão a Comissão pastoral da Terra (CPT) de Araguaína (TO) e promoverão espaços de reflexão e formação sobre o trabalho escravo, que, mesmo em tempos de Copa do Mundo, ainda existe no Brasil.

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Vale lembrar que não é a primeira vez que o MJD-BR se aventura pelas terras paraenses e aporta na cidade de Conceição. Em 2011, jovens dominicanos que participaram do Mutirão Dominicano, organizado pela Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil, passaram alguns dias na terra das bandeiras verdes e foi justamente essa experiência missionária que motivou o nosso retorno.

Espaços de formação, trabalho voluntário, visitas missionárias, noites de oração e algumas boas surpresas aguardam os missionários este ano. Destaco, também, a presença de nossos companheiros Leonardo De Laquila, promotor internacional de missão e caridade do IDYM (International Dominican Youth Movement) – a Comissão Internacional dos MJD’s pelo mundo -, e de Frei Mariano Foralosso, op, assessor nacional do MJD-BR.

Como é de costume na caminhada do MJD, para viabilizar um sonho como este, contamos com a parceria de pessoas que sonham junto conosco e, de fato, botam fé em nossa caminhada. Agradecemos, desde já, o apoio da Paróquia São Vicente de Paulo, de São Paulo (SP), da Paróquia Santo Antônio da Boa Vista de Curitiba, de Curitiba (PR), das nossas Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena e de Nossa Senhora do Rosário de Monteils, dos nossos parceiros Frades Dominicanos e, não menos importante por ser o último citado, do IDYM.

Para a Comunidade de Conceição do Araguaia a gente deseja fazer melhor do que agradecer pela internet. A gente vai é viver junto nesses próximos dias e experimentar aquilo que Deus nos reserva para o tempo de Missão.

Encerrando por aqui, deixo um abraço apertado e duas perguntas para você, que aguentou ler esse texto até aqui:

Para você, o que é ser missionário nos tempos atuais? E qual a importância de sairmos em missão?

Confira, abaixo, uma mensagem de nosso amigo Léo: 

Acompanhe nosso facebook e blog durante os próximos dias, vem aí uma série de publicações especiais para fazermos um aquecimento pré-missão. 😉

 

#VaiTerMissão